Na última quinta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que solicitou ao ministro Vinicius Marques de Carvalho, controlador-geral da União (CGU), a instauração de um procedimento interno para responsabilizar e expulsar o auditor da CGU, David Cosac Junior. O incidente ocorreu em 7 de dezembro, quando câmeras de segurança em um condomínio em Brasília registraram Cosac agredindo uma mulher e seu filho de apenas quatro anos. Os vídeos mostram o auditor desferindo tapas e socos na mãe, que estava com a criança no colo, por aproximadamente 20 segundos, interrompendo a violência apenas quando ambos caíram ao chão.
Apesar da gravidade do ato e da evidência nas gravações, o homem de 49 anos não foi detido. Em uma publicação na rede social X, Lula afirmou que “não fechará os olhos para agressores de mulheres e crianças”. No dia 23, quando o caso veio à tona, o ministro da CGU emitiu uma nota expressando sua indignação diante das imagens divulgadas na mídia, classificando os atos como extremamente graves e inaceitáveis.
A nota afirma: “Recebi, com grande preocupação, as informações e imagens que mostram as agressões cometidas por um servidor da Controladoria-Geral da União contra uma mulher e uma criança. Esses fatos são inaceitáveis e configuram crime. Não se trata de um mero desentendimento ou questão pessoal, mas de uma violação da lei e da dignidade humana. O combate à violência contra a mulher é uma prioridade do Governo do Brasil e uma obrigação das instituições públicas. A CGU reafirma seu compromisso com os direitos humanos e a ética, não se omitindo diante de situações como esta. As autoridades competentes devem conduzir a apuração criminal conforme a legislação penal.
Administrativamente, a CGU já tomou medidas imediatas. Os fatos relatados configuram uma grave violação dos deveres funcionais estabelecidos pela Lei nº 8.112/1990, especialmente no que diz respeito à conduta ética do servidor público. Por isso, determinei:
– O envio das informações à Corregedoria-Geral da União (CRG) e à Comissão de Ética da CGU, para que seja iniciada uma investigação preliminar de responsabilidade.
– A revogação imediata da designação do servidor como substituto da chefia imediata, com publicação em edição extraordinária do Diário Oficial da União.
– A proibição do acesso do servidor aos prédios da Controladoria-Geral da União enquanto as investigações estiverem em andamento, visando à preservação do ambiente institucional e ao bom andamento das apurações.
A CGU acompanhará o caso e tomará todas as medidas cabíveis dentro de suas atribuições, com seriedade, responsabilidade e respeito ao devido processo legal”, conclui a nota do ministro.