A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) anunciou a liberação de R$ 815,4 milhões para a construção da Ferrovia Transnordestina. Este aporte é realizado através do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que gerencia recursos do Banco do Nordeste sob a supervisão da Sudene.
O comunicado foi feito nesta segunda-feira (22), e a liberação de R$ 700 milhões do FDNE deve ocorrer em até cinco dias úteis. Além disso, a Sudene também destinará R$ 115,4 milhões adicionais. Este montante complementa a parcela contratual de R$ 1 bilhão prevista para 2025.
De acordo com a Sudene, a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), responsável pela construção e operação da ferrovia, apresentou a documentação necessária que justifica a ampliação dos recursos do FDNE. Além disso, o extinto Fundo de Investimento do Nordeste (Finor) também contribui com recursos para a Transnordestina. Para 2025, a expectativa é que a Sudene libere um total de R$ 2,4 bilhões para a TLSA.
Em julho, foram liberados R$ 600 milhões referentes ao ano de 2024. Na ocasião, com a saída do então superintendente Danilo Cabral, foram aportados mais R$ 816,6 milhões do Finor, destinados às obras no Ceará. No total, espera-se que o FDNE disponibilize R$ 2,23 bilhões em 2025.
Nos próximos dois anos, a Sudene planeja liberar mais R$ 1,6 bilhão para a construção da ferrovia, cujo prazo de conclusão dos 1.200 quilômetros da linha férrea é 2028.
Atualmente, a ferrovia está em construção na fase 1, que vai de São Miguel do Fidalgo (PI) até o Porto do Pecém (CE). Todos os canteiros de obras dessa fase estão contratados, incluindo os lotes 9 (Baturité — Aracoiaba) e 10 (Aracoiaba — Caucaia) no Ceará, que são considerados de “maior complexidade técnica” devido às regiões montanhosas do Maciço de Baturité.
O transporte de cargas já começou, com a ferrovia alcançando Iguatu, no Centro-Sul do Ceará, após percorrer 585 km em uma viagem iniciada no dia anterior. Vinte vagões carregados com milho partiram de Bela Vista do Piauí (PI) em direção à empresa cearense Tijuca Alimentos, marcando o início da fase de testes operacionais.
Segundo a TLSA, a fase de comissionamento oficial e o transporte regular de cargas estão previstos para começar em 2026, no mesmo trecho. A ferrovia possui autorização para operar entre Simplício Mendes (PI) e Acopiara (CE), em um percurso de 680 km.