O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (23) que o tarifaço implementado pelo governo dos Estados Unidos sobre as importações de produtos brasileiros teve um efeito “insignificante”. Ele também mencionou que estabeleceu uma amizade com o presidente americano, Donald Trump. Durante sua análise do panorama econômico em uma cerimônia no Palácio do Planalto, onde assinou um decreto que reconhece a música gospel como uma forma de expressão cultural, Lula destacou: “O ano está terminando de forma positiva. Os preços dos alimentos estão diminuindo, e as pessoas estão conseguindo acessar produtos que antes estavam mais caros. Na verdade, a taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil acabou sendo irrelevante.”
Em 20 de novembro, Trump anunciou a revogação da tarifa de 40% sobre produtos brasileiros, incluindo café, chá, sucos de frutas, cacau, bananas, laranjas, tomates e carne bovina. Essa decisão, segundo Trump, foi resultado de uma conversa telefônica com Lula. Após esse anúncio, o governo brasileiro intensificou as negociações para remover outras alíquotas de exportação e revogar as sanções da Lei Magnitsky.
Além de um encontro face a face na Malásia, os dois líderes tiveram duas conversas telefônicas ao longo deste ano, marcando um movimento de aproximação após as tensões geradas pelo tarifaço e as sanções. Lula, durante o evento no Palácio do Planalto, comentou: “Quando muitos acreditavam que eu e Trump nos tornaríamos adversários, acabamos por nos tornar amigos.”
No que diz respeito às exportações, de janeiro a novembro, o Brasil exportou um total de US$ 317,18 bilhões, representando um crescimento de 1,8% em relação a 2024, alcançando o maior valor registrado em uma década para esse período. Os efeitos adversos do tarifaço foram suavizados pela diversificação das vendas externas para outras regiões, como Ásia e América do Sul, além do fato de que alguns setores que mantêm negócios com o mercado americano continuaram aumentando seus embarques, mesmo com a sobretaxa.
Recentemente, no início de novembro, os Estados Unidos recuaram na aplicação da tarifa adicional de 40% sobre mais de 200 produtos, especialmente do setor agropecuário. Um estudo realizado pela Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), revelou que, entre os 30 setores que exportam para os EUA, 19 conseguiram vender, juntos, US$ 21,2 bilhões entre janeiro e novembro deste ano, representando uma queda de 14,5% em comparação ao mesmo período de 2024, quando não havia tarifas.
Contudo, apesar do impacto das tarifas nesse grupo, outros 11 setores conseguiram aumentar suas vendas para os Estados Unidos, ajudando a mitigar a queda nas exportações totais para o mercado americano. Esses 11 setores exportaram US$ 12,9 bilhões entre janeiro e novembro deste ano, com um crescimento de 9,8% em relação ao mesmo período de 2024. Como resultado, a redução nas exportações brasileiras totais para os EUA até novembro foi de apenas 6,7%.