O HANBIT-Nano, um foguete sul-coreano, explodiu após sua decolagem na Base de Alcântara, Maranhão. Este veículo lançador orbital de pequeno porte foi desenvolvido para colocar satélites leves em órbita baixa da Terra. O voo, que não contava com tripulação, era parte de uma operação histórica, sendo o primeiro lançamento comercial de um foguete orbital realizado no Brasil.
Com uma altura de 21,8 metros, diâmetro de 1,4 metro e peso aproximado de 20 toneladas, o HANBIT-Nano foi projetado para transportar até 90 quilos de carga útil a uma órbita de cerca de 500 quilômetros de altitude. Este modelo faz parte de uma nova geração de foguetes, focados em missões mais rápidas e econômicas, atendendo à crescente demanda por pequenos satélites.
O veículo possui dois estágios. O primeiro utiliza um sistema de propulsão híbrida, que combina combustível sólido à base de parafina com um oxidante líquido. O segundo estágio emprega motores híbridos ou tecnologia que utiliza metano líquido, uma solução que vem ganhando destaque no setor espacial por sua eficiência e controle aprimorados.
Desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace, o projeto contou com a colaboração de 247 profissionais, incluindo 102 engenheiros dedicados às áreas de pesquisa e desenvolvimento. Antes da tentativa de voo orbital, a Innospace já havia realizado testes com um veículo experimental, o Hanbit-TLV, na mesma base em 2023, para validar seus motores híbridos.
A missão, conhecida como Operação Spaceward, levava oito cargas úteis, que incluíam cinco pequenos satélites e três dispositivos experimentais, com equipamentos provenientes de instituições de ensino brasileiras e de uma empresa da Índia. O lançamento ocorreu às 22h13 da segunda-feira (22), e, conforme informações da Força Aérea Brasileira (FAB), o foguete seguiu a trajetória planejada logo após deixar a plataforma. Durante a transmissão do evento, foi possível observar o veículo ultrapassando a velocidade do som e alcançando o ponto de maior esforço aerodinâmico, conhecido como “MAX-Q”. Contudo, uma anomalia fez com que o foguete colidisse com o solo, resultando em uma explosão.
O lançamento havia sido adiado várias vezes desde novembro devido a falhas técnicas identificadas em sistemas dos dois estágios e a condições meteorológicas adversas. Mesmo assim, a data escolhida era considerada a última oportunidade para um lançamento em 2025, de acordo com a FAB.
Após o incidente, equipes da FAB, do Corpo de Bombeiros e técnicos da Innospace foram mobilizados para a área de impacto no Centro de Lançamento de Alcântara, com o objetivo de analisar os destroços e coletar informações. A investigação, que conta com o apoio da Agência Espacial Brasileira, visa determinar as causas da falha em um voo que representava um novo avanço para a exploração espacial comercial no Brasil.
Até o momento, não há informações oficiais sobre o custo total do foguete HANBIT-Nano, mas foram divulgados valores relacionados ao serviço de lançamento, que é o que normalmente se negocia neste setor. O acordo entre a Innospace e a Agência Espacial Brasileira (AEB) estipula que o preço para enviar carga ao espaço com o HANBIT-Nano gira em torno de US$ 33 mil (aproximadamente R$ 180 mil) por quilo colocado em órbita baixa da Terra (LEO). Para um contrato específico com o Brasil, menciona-se que o país contratou 15 kg de capacidade por cerca de US$ 495 mil (cerca de R$ 2,7 milhões na cotação atual).
Até agora, não foram divulgadas informações oficiais sobre o valor exato dos danos causados pela explosão do HANBIT-Nano, seja para o governo brasileiro, para a Innospace ou para os clientes envolvidos na missão. Em situações como essa, especialmente envolvendo empresas privadas e contratos internacionais, os custos totais de fabricação, seguro e substituição das cargas ainda precisam ser avaliados e comunicados oficialmente. A Innospace, juntamente com a AEB e a FAB, continua realizando análises técnicas e ainda não divulgou detalhes sobre prejuízos financeiros.