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Em mensagem a outro criminoso sexual, Epstein afirmou que Trump ‘compartilha nossa apreço por garotas jovens e atraentes’, revela jornal

1 de 5 Imagem do site do ‘Wall Street Journal’ mostra carta de Epstein a outro agressor sexual que cita Trump — Foto: Reprodução/WSJ

Em uma carta redigida enquanto estava encarcerado, o bilionário Jeffrey Epstein se dirigiu a outro condenado por crimes sexuais, afirmando que o presidente dos EUA, Donald Trump, “também partilha nossa apreciação por garotas jovens e atraentes”.

As informações foram divulgadas pelo jornal “The Wall Street Journal” nesta terça-feira (23). De acordo com a publicação, uma cópia da correspondência, escrita à mão e endereçada a Larry Nassar, foi encontrada em um conjunto de documentos relacionados ao caso Epstein, que foram tornados públicos na segunda-feira (22). Contudo, o documento foi removido rapidamente após sua divulgação.

O termo “atraente” é frequentemente usado para se referir a adolescentes que, segundo as normas de uma sociedade, são consideradas aptas para o casamento. Em contextos menos comuns, pode ser empregado como sinônimo de “charmoso”.

O Departamento de Justiça dos EUA declarou nesta terça-feira (23) que existem “alegações infundadas e sensacionalistas” contra o presidente Donald Trump na nova coleção de documentos do caso Epstein divulgada mais cedo naquele dia. Entretanto, o órgão não especificou quais alegações seriam infundadas e quais referências ao presidente nos documentos seriam consideradas verídicas.

De acordo com o Departamento de Justiça, alguns materiais foram retirados para que trechos que identificam vítimas fossem censurados, visando proteger sua privacidade. “Alguns desses documentos contêm alegações sensacionalistas e infundadas contra o presidente Trump, que foram enviadas ao FBI pouco antes das eleições de 2020. Para ser claro: essas alegações são sem fundamento e, se fossem verdadeiras, já teriam sido usadas contra o presidente Trump”, afirmou o Departamento em um comunicado.

A carta mencionada pelo “WSJ” foi supostamente escrita em 2019, o mesmo ano em que Epstein foi encontrado morto em sua cela em uma prisão de Nova York, caso que foi considerado suicídio. Nassar, que foi médico da equipe feminina de ginástica artística, foi preso em 2016, depois de ser acusado de abusar de pelo menos 265 atletas ao longo de 22 anos de carreira. Ele se declarou culpado e foi condenado a 140 anos de prisão, atualmente cumprindo sua pena em uma penitenciária na Pensilvânia.

O bilionário Jeffrey Epstein, que tinha relações próximas com políticos e celebridades, foi condenado por abusar de menores e operar uma rede de exploração sexual. O Departamento de Justiça dos EUA, que responde à Casa Branca, divulgou mais de 30 mil novos documentos sobre as investigações relacionadas a Epstein nesta terça-feira.

Os novos arquivos incluem uma variedade de fotos, gravações, registros judiciais, documentos do FBI e centenas de vídeos, incluindo imagens de vigilância de agosto de 2019, quando Epstein foi encontrado morto. A divulgação aconteceu dias após a primeira remessa, na sexta-feira (19), que continha fotos de celebridades, referências ao Brasil e várias páginas censuradas.

O prazo para a publicação de todos os documentos vinculados ao caso Epstein expirou na última sexta-feira. Recentemente, o Departamento de Justiça foi criticado por reter informações e pela lentidão na divulgação dos documentos, além da censura aplicada a eles.

Arquivos relacionados ao caso Epstein também revelaram conexões com o Brasil, com novas informações sugerindo contatos que envolvem o país. O Congresso dos EUA, em novembro, aprovou uma legislação que exige a liberação de informações sobre a investigação, sendo sancionada pelo presidente Trump.

Novas divulgações incluem fotos de Epstein com figuras famosas, mas o contexto dessas imagens permanece indefinido. O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que mais documentos serão liberados nas próximas semanas, embora não todo o conjunto de arquivos relacionados a Epstein.

O Departamento de Justiça já havia avisado que não divulgaria todos os arquivos na íntegra, pois parte do material pode conter investigações ordenadas por Trump sobre figuras democratas associadas a Epstein. Além disso, a identidade das vítimas de tráfico sexual será protegida.

O caso Epstein, que envolveu alegações de abuso de mais de 250 meninas menores de idade, voltou a ser destaque neste ano. Durante a campanha para 2024, Trump prometeu liberar documentos secretos sobre o caso. No entanto, o Departamento de Justiça não encontrou evidências que sustentassem a existência de uma lista de clientes de Epstein, o que decepcionou muitos apoiadores de Trump.

Em meio à pressão política crescente, Trump passou a desconsiderar o tema, chamando-o de “farsa” criada pela oposição. Apesar das tentativas da Casa Branca para obstruir o projeto de divulgação, ele conseguiu as assinaturas necessárias para ser pautado no Congresso.

No dia 12 de novembro, o Congresso dos EUA lançou mais de 20 mil páginas de documentos relacionados à investigação de Epstein, que incluem e-mails trocados entre ele e conhecidos. Um dos e-mails sugere que Trump tinha conhecimento de atividades envolvendo garotas menores, enquanto outro destaca a relação de Epstein com Trump, levantando novas questões sobre a natureza dessa conexão.

Trump, por sua vez, desqualificou as alegações, chamando-as de uma “armadilha” da oposição, enquanto a porta-voz da Casa Branca afirmou que os documentos não mostram nenhuma irregularidade por parte do presidente.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade