BRASÍLIA – Neste domingo, 21, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), utilizou suas redes sociais para expressar descontentamento com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo Paes, a agência estaria agindo nos bastidores para facilitar a flexibilização das restrições de voos no aeroporto Santos Dumont.
O prefeito afirmou que a Anac está promovendo uma movimentação “oculta” para alterar a bem-sucedida política do governo federal, que visa restringir os voos no Santos Dumont com o objetivo de coordenar o sistema aeroportuário do Rio de Janeiro e fortalecer o Aeroporto Internacional do Galeão, considerado essencial para o desenvolvimento da cidade e do país. Em sua postagem no “X”, Paes compartilhou uma imagem de um despacho da Anac datado de 17 de dezembro, convocando companhias aéreas para uma reunião sobre o assunto.
Em resposta ao Estadão, a Anac manifestou surpresa com as declarações do prefeito e repudiou qualquer insinuação de operações “ocultas” ou a existência de “forças ocultas”. A agência reafirmou que todas as suas ações são realizadas através de processos administrativos transparentes, auditáveis e devidamente documentados, em conformidade com os princípios da administração pública.
Na sua publicação, Paes também destacou um aumento significativo no fluxo de passageiros, que, segundo ele, subiu de 8 milhões para 17 milhões em 2025, além de um acréscimo de 2 milhões de turistas neste ano. Ele ressaltou que, após os esforços do Presidente Lula e do Ministro Silvio Costa Filho, além dos Ministros do TCU, para viabilizar o acordo e a relicitação do Galeão, que está programada para março de 2026, as ações da Anac chamam a atenção por serem “às escuras”.
O prefeito descreveu a situação como “um absurdo” e questionou os interesses por trás dessas movimentações, que, segundo ele, são “no mínimo estranhos”. A Anac, em nota, afirmou que a discussão sobre a flexibilização das restrições no Santos Dumont vem ocorrendo de maneira “aberta e transparente” desde junho. A medida, segundo a agência, foi determinada pelo Ministério de Portos e Aeroportos para garantir a sustentabilidade do Galeão.
“A Agência esclarece que as mudanças nas operações dos dois aeroportos, com a flexibilização das restrições no Santos Dumont, são resultado de um acordo de repactuação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão do Aeroporto do Galeão, aprovado pelo TCU, em um consenso entre todas as partes envolvidas, incluindo a concessionária do Galeão”, informou o comunicado. A reportagem também tentou contato com o Ministério de Portos e Aeroportos sobre o assunto, mas não obteve retorno.