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Preços do petróleo atingem maior nível em seis semanas devido a escalada de tensões no Oriente Médio

Os preços internacionais do petróleo atingiram nesta segunda-feira, 7 de novembro, sua maior cotação em seis semanas, impulsionados por uma escalada nas tensões na região do Oriente Médio. A alta ocorre após declarações do Irã de que pretende atacar infraestruturas energéticas em resposta a novos ataques dos Estados Unidos contra seus ativos, agravando um conflito que já reduziu significativamente a oferta de petróleo na região.

Os contratos futuros do petróleo Brent, referência no mercado global, subiram US$ 1,03, ou 1,1%, fechando a US$ 97,31 por barril. Durante a sessão, atingiram uma máxima de US$ 98,06, valor que representa o nível mais alto desde 24 de julho. Como o mercado do Brent fechou aproximadamente uma hora antes do horário habitual de encerramento devido ao feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, essa cotação reflete uma resposta rápida às notícias de instabilidade na região.

Já os contratos do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), principal referência no mercado norte-americano, também registraram alta de 1,3%, ou US$ 1,17, fechando a US$ 92,65 por barril às 14h45 (horário de Brasília). Antes do fechamento, o WTI atingiu US$ 93,29, seu valor mais alto desde 24 de julho, refletindo a preocupação crescente com a continuidade do conflito e seus impactos no abastecimento global de petróleo.

A escalada de tensões foi reforçada por declarações do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, que afirmou nesta segunda-feira que, caso seus ativos sejam atacados, o Irã responderá atacando infraestruturas energéticas em todo o Oriente Médio. A retórica iraniana surge como resposta às advertências do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, de que a frota petrolífera de Teerã estaria “indefesa”, o que aumentou o clima de conflito na região.

No último fim de semana, EUA e Irã trocaram ataques contra petroleiros e navios de guerra, marcando uma forte escalada na disputa entre os dois países. Segundo a empresa de inteligência marítima Marisks, petroleiros comerciais estão sendo utilizados como instrumentos de pressão econômica recíproca, o que tem enfraquecido a distinção entre confrontos militares e transporte marítimo comercial. Como consequência, os preços do petróleo subiram aproximadamente 8% na semana passada no Brent e quase 10% no WTI, refletindo o impacto direto da intensificação dos conflitos na oferta global.

A crise também afetou os estoques de combustíveis nos Estados Unidos, maior consumidor e produtor de petróleo do mundo. Analistas da PVM Energy apontaram que os estoques de gasolina e combustíveis destilados estão substancialmente abaixo dos níveis do ano anterior e das médias sazonais dos últimos cinco anos, indicando uma situação mais grave do que há algumas semanas. Essa redução reforça o risco de déficits de abastecimento diante da instabilidade na região.

Paralelamente, as tensões regionais se intensificaram com os ataques israelenses a uma cidade no sul do Líbano, que resultaram na morte de pelo menos 12 pessoas, segundo o Ministério da Saúde libanês. Este episódio é considerado um dos mais violentos dos últimos dias e contribui para a deterioração do cenário de conflito na região.

Em meio ao aumento da incerteza, o banco Goldman Sachs alertou que os preços do petróleo podem chegar a US$ 120 por barril caso os ataques à navegação se intensifiquem ainda mais. Enquanto isso, os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) decidiram manter inalterada a política de produção de petróleo para o mês de outubro, em reunião realizada no domingo, buscando estabilidade diante do cenário de instabilidade geopolítica.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade