O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou que fará uma visita ao Santuário dos Elefantes Brasil (SEB), situado na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. A decisão vem após a morte de duas elefantes fêmeas, Pupy e Kenya, que faleceram recentemente, menos de um ano depois de serem acolhidas no local.
Em um comunicado divulgado nas redes sociais, o SEB informou que as elefantes foram resgatadas de ambientes que não ofereciam os cuidados necessários. Embora os exames de necrópsia ainda não tenham sido finalizados, não há evidências de que as mortes das duas fêmeas, que conviviam próximas, estejam diretamente relacionadas (veja mais detalhes abaixo).
Kenya, que foi resgatada do ecoparque de Mendoza, na Argentina, próximo à fronteira chilena, chegou ao santuário brasileiro em julho deste ano. Com mais de 44 anos, ela assumiu o papel de “irmã mais velha” para Pupy, e sua morte foi comunicada na última terça-feira, dia 16.
“Após vários dias sem mostrar sinais de que iria se deitar, Kenya finalmente se acomodou na noite anterior (referindo-se à segunda-feira, dia 15). Parecia mais tranquila, e sua respiração se normalizou. Durante toda a noite, não se moveu, evidenciando um grande cansaço”, descreveu o santuário.
O SEB relatou que cuidadores ficaram de vigília durante a noite, e Kenya faleceu na manhã de terça-feira. “Em determinado momento, sua respiração mudou, e ela emitiu um suave trombetear de filhote enquanto partia de forma serena e rápida”, acrescentou.
Antes de ser resgatada, Kenya enfrentou por décadas problemas de diarreia crônica, recebeu alimentação inadequada, sofreu de infecções dentárias crônicas e não teve acesso a cuidados médicos adequados. “Essa era a realidade dela antes de chegar ao santuário”, afirmou a instituição.
No comunicado, o SEB descartou a possibilidade de que Kenya tenha transmitido tuberculose a Pupy, assim como a contaminação por meio de contato entre espécies de habitats distintos.
“Entendemos que a menção à palavra ‘tuberculose’ em relação a Kenya pode gerar preocupações sobre a exposição de Pupy. Até o momento, as amostras de Pupy testaram negativo para tuberculose. Embora a cultura ainda esteja entre os exames pendentes, outros dois testes já foram realizados, ambos com resultados negativos para a doença”, informou.
“Não há tratadores que transitem entre os habitats das elefantas asiáticas e africanas, e não existe qualquer ponto de contato entre esses espaços. Portanto, não há motivos para preocupações quanto à transmissão entre espécies”, acrescentou.
Em nota, o Ibama declarou que “não é possível afirmar” que as elefantes que faleceram tenham sido vítimas de maus-tratos ou manejo inadequado recente. A reportagem tentou contato com a secretaria ambiental estadual, mas não obteve resposta.
De acordo com o Ibama, o Santuário dos Elefantes Brasil é classificado como um criadouro científico de fauna e, por ser licenciado pelo estado, o órgão atua de forma supletiva, monitorando o funcionamento do espaço e emitindo autorizações para a importação de animais no Brasil.
O órgão ainda destacou que a maioria dos animais enviados ao santuário foi direcionada ao local “com o intuito de proporcionar melhor qualidade de vida e manejo adequado”. Muitos deles vêm de antigos circos ou de outros países, sendo que uma parte considerável desses elefantes é idosa, apresenta comorbidades e possui um histórico delicado.
Outras duas elefantes também faleceram pouco tempo após chegarem ao santuário: Pocha, resgatada em maio de 2022, morreu cinco meses depois, em outubro, aos 57 anos; e Ramba, que chegou ao SEB em outubro de 2019 e faleceu em 26 de dezembro do mesmo ano, aos cerca de 65 anos.
Atualmente, cinco elefantes habitam o santuário: Maia, Rana, Mara, Bambi e Guillermina. Esta última chegou ao local em 2022, junto com a mãe, Pocha, enquanto os outros animais residem no SEB há pelo menos cinco anos.