O dólar encerrou o dia com leve valorização, enquanto o mercado observava atentamente a votação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026. Nesta sexta-feira (19), a moeda americana subiu 0,11%, alcançando R$ 5,5297, após atingir uma máxima de R$ 5,5463. Ao longo da semana, a moeda acumulou um aumento de 2,20%, marcando o maior valor de fechamento desde 1º de agosto, quando estava em R$ 5,5456.
O índice Ibovespa também teve um desempenho positivo, subindo 0,35% e fechando a 158.473,02 pontos. No cenário internacional, o foco foi o sentimento do consumidor, conforme medido pela Universidade de Michigan.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que o dólar ganhou força nos mercados globais, impulsionado pela decisão do Banco do Japão (BoJ) de elevar a taxa de juros de 0,50% para 0,75% ao ano, continuando assim o processo de normalização após quase 17 anos com juros próximos de zero ou negativos. Esta foi a segunda elevação de juros em 2025, seguindo um ajuste anterior em janeiro.
“O fortalecimento do dólar no exterior, refletido no aumento do índice DXY, e a alta nos rendimentos dos Treasuries (títulos do governo dos EUA) reduziram o interesse por moedas de mercados emergentes, favorecendo uma reconfiguração para posturas defensivas no câmbio”, afirmou Shahini.
Pouco antes do fechamento do mercado cambial, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026, que estabelece um limite de despesas de R$ 6,543 trilhões e um superávit de R$ 34,5 bilhões, superando em R$ 200 milhões o centro da meta fiscal para o ano, que está fixada em R$ 34,3 bilhões.
A aprovação do orçamento ocorreu após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negociar um cronograma de pagamento de emendas com os parlamentares e aprovar um projeto que prevê cortes em benefícios tributários, além de taxação sobre apostas, fintechs e Juros Sobre Capital Próprio (JCP), gerando um aumento na arrecadação de cerca de R$ 20 bilhões.
A valorização do Ibovespa no dia acompanhou a tendência de alta dos índices de ações dos Estados Unidos, além do avanço de 1,08% no preço do petróleo Brent e de 0,52% no minério de ferro na China.
Na quinta-feira, o Ibovespa havia fechado em alta de 0,38%, aos 157.923,34 pontos, acumulando uma perda semanal de quase 1,5%, após uma valorização de 2,16% na semana anterior.
Matheus Amaral, especialista em renda variável do Inter, acredita que há potencial para novos avanços do Ibovespa em 2026. Ele sugere que a expectativa de redução da Selic no início do próximo ano, aliada à possibilidade de novos cortes de juros nos EUA e ao valuation elevado de algumas ações de tecnologia em Nova York, pode direcionar investimentos para mercados emergentes como o Brasil, que são vistos como oportunidades.
A agenda de indicadores nesta sexta-feira foi bastante limitada, tanto no Brasil quanto no exterior. No entanto, as blue chips se destacaram devido ao vencimento de opções sobre ações na B3. Além disso, o noticiário corporativo trouxe informações que podem impactar os negócios na Bolsa brasileira.