Um levantamento da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), divulgado na quarta-feira (17), revelou que as dez rodovias brasileiras com as piores condições são administradas pelo governo. Dentre essas, nove estão sob gestão de estados das regiões Nordeste, Norte e Sul do Brasil.
Em contraste, as estradas que receberam as melhores avaliações estão, em sua maioria, no Sudeste e são geridas pela iniciativa privada. Vander Costa, presidente da CNT, destacou que, nas regiões Norte e Nordeste, há uma carência de viabilidade para concessões e de atratividade para investimentos públicos. “Essa situação resulta de uma combinação de falta de desenvolvimento econômico e a ausência de políticas eficazes para mobilizar recursos estaduais”, afirmou.
Costa também observou que os estados mais alinhados com a administração federal tendem a atrair mais investimentos. “Quando há políticos, deputados e senadores comprometidos com a infraestrutura rodoviária, é comum que parte das emendas parlamentares seja direcionada para a manutenção da qualidade das estradas”.
Ele ressaltou ainda a relevância de assegurar investimentos públicos, a fim de diminuir a desigualdade nas regiões onde as rodovias estão em condições precárias. O presidente da CNT está colaborando com o Legislativo para garantir emendas que melhorem essas estradas e minimizar os cortes orçamentários da União para 2026.
Conforme os dados, o orçamento destinado ao Ministério dos Transportes caiu de R$ 15,91 bilhões em 2025 para R$ 13,10 bilhões em 2026, enquanto a proporção de investimentos próprios do ministério aumentou de 49,2% para 71,1% nesse mesmo período. Essas informações fazem parte da Série Especial de Economia – Investimentos em Transporte, também realizada pela CNT.
As rodovias sob gestão privada ocupam as melhores posições no ranking da CNT. Fernanda Rezende, diretora executiva da confederação, comentou que isso evidencia o impacto positivo das concessões, que injetam a maior parte dos recursos no início do contrato e asseguram manutenções regulares.
Por outro lado, as estradas sob controle público estão nas últimas posições do ranking da CNT, sendo classificadas como “Péssimo”. Essas vias estão situadas nos estados do Acre, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Tocantins, Paraíba e Maranhão.
O diretor da CNT reiterou a urgência de manter o nível atual de investimentos nas rodovias brasileiras, aumentar o número de concessões e direcionar fundos públicos para as regiões com menor orçamento. Ele também sugeriu melhorias na sinalização das estradas e o aumento de pontos de parada para caminhoneiros e passageiros, visando reduzir o número de acidentes.