BRASÍLIA – Nesta quarta-feira, 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comunicou que recebeu informações indicando que a União Europeia pode não conseguir finalizar a aprovação do acordo com o Mercosul até a data prevista para a assinatura, que é no próximo sábado, 20. Em um tom contundente, Lula enfatizou que, caso o acordo não seja firmado agora, “o Brasil não estará disposto a firmar novos acordos” durante seu mandato.
“Já deixei claro para eles que, se não firmarmos agora, o Brasil não estabelecerá mais acordos enquanto eu estiver no cargo. Esperamos por esse acordo há 26 anos. Ele é mais vantajoso para eles do que para nós. O Macron hesita por causa dos interesses dos agricultores franceses, e a Itália não parece querer avançar, embora eu não saiba o motivo”, afirmou.
O presidente destacou que o pacto é mais favorável aos europeus do que aos sul-americanos e alertou que, caso a assinatura não ocorra, o governo adotará uma postura firme na relação futura com eles.
“Nosso esforço no Brasil foi intenso para aceitarmos esse acordo e transmitir uma mensagem em um momento em que o presidente dos Estados Unidos busca enfraquecer o multilateralismo e reforçar o unilateralismo. Queremos mostrar ao mundo que um PIB de US$ 22 trilhões está se unindo em prol do multilateralismo”, declarou.
“Estou indo para Foz do Iguaçu com a esperança de que eles (os europeus) respondam ‘sim’. Mas se a resposta for ‘não’, seremos firmes nas próximas interações. Nós já cederam tudo o que era possível no campo da diplomacia”, concluiu.
Além disso, Lula revelou que planeja uma viagem à Índia no início do próximo ano e mencionou que sua última viagem internacional programada para 2026 será para a Coreia do Sul. Ele também expressou que não tem intenção de participar da reunião do G7, pois estará em “campanha intensa”.