Elissandro Spohr, ex-sócio da Boate Kiss e conhecido como Kiko, que foi sentenciado a 12 anos de prisão em decorrência do incêndio que resultou na morte de 242 pessoas em 2013, agora poderá cumprir sua pena em regime aberto. De acordo com informações do Tribunal de Justiça, a decisão foi divulgada na quarta-feira (17) e impõe algumas condições, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Spohr se torna o primeiro réu do trágico incidente a obter a liberdade. Ele estava detido na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) e, para manter o benefício, deverá manter um vínculo de emprego e comparecer periodicamente ao Judiciário para prestar contas sobre suas atividades.
O incêndio na Boate Kiss, ocorrido em janeiro de 2013 em Santa Maria (RS), deixou 242 mortos e cerca de 630 feridos. A maioria das vítimas faleceu por asfixia devido à fumaça tóxica gerada pela queima da espuma usada na cobertura do palco, onde a banda se apresentava. O fogo teria sido iniciado por um artefato pirotécnico utilizado por um integrante da banda.
Na correria para escapar, muitos clientes ficaram desesperados e tentaram fugir pelos banheiros, onde algumas vítimas perderam a vida. A defesa de Elissandro Spohr declarou que a concessão do regime aberto ocorreu “após o cumprimento de todos os requisitos legais” e enfatizou que ele continua a cumprir a pena “de maneira rigorosa”.
Spohr é um dos quatro condenados pelo incêndio. Originalmente sentenciado a 22 anos e seis meses, sua pena foi reduzida para 12 anos em uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) em agosto de 2025. Antes de conseguir a progressão para o regime aberto, ele já havia recebido autorização para trabalhar externamente com o uso de tornozeleira eletrônica, o que foi concedido em outubro.
Outro ex-sócio da boate, Mauro Hoffmann, que também foi condenado, conseguiu o regime semiaberto em 11 de novembro deste ano. Ele permanece na Penitenciária de Canoas, mas pode sair durante o dia para trabalhar. Assim como Spohr, Hoffmann teve sua pena reduzida pelo TJRS, passando de 19 anos e seis meses para 12 anos.
Os músicos Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, da banda Gurizada Fandangueira, estão cumprindo pena no Presídio Estadual de São Vicente do Sul e também avançaram para o regime semiaberto. As penas deles foram diminuídas de 18 para 11 anos, permitindo o trabalho externo durante o dia, com a obrigatoriedade de retornar à prisão à noite. Enquanto Marcelo já iniciou suas atividades profissionais na localidade, Luciano aguarda autorização judicial para começar a trabalhar fora do presídio.
Com a concessão do regime aberto a Elissandro Spohr, as defesas dos demais condenados devem solicitar, nos próximos meses, a progressão para a liberdade monitorada, dependendo do cumprimento das penas.