O Ibovespa apresentava uma leve valorização no início da tarde desta quinta-feira (18), após duas sessões de perdas, impulsionado principalmente pelas ações da Vale. Investidores estavam atentos aos dados sobre os preços ao consumidor nos Estados Unidos, sem deixar de observar o cenário político interno. A disputa presidencial marcada para o próximo ano continua a ser uma preocupação para o mercado. Na sessão anterior, o Ibovespa chegou a operar abaixo dos 157 mil pontos, pressionado por apreensões políticas, acumulando uma queda superior a 3% em dois dias.
Nos Estados Unidos, as bolsas abriram em alta, refletindo uma ligeira elevação nas expectativas de que o Federal Reserve possa reduzir a taxa de juros em sua próxima reunião de política monetária, agendada para janeiro. Às 12h50, o Ibovespa registrava um avanço de 0,44%, alcançando 158.017 pontos.
Em relação ao dólar, a moeda iniciou o dia próxima à estabilidade após um forte aumento no dia anterior, quando o Banco Central brasileiro atualizou suas previsões sobre o PIB e a inflação. No exterior, o dólar mantém uma valorização em relação a uma cesta de moedas fortes. No mesmo horário, o dólar apresentava uma leve queda de 0,09%, sendo negociado a R$ 5,51 na venda, após encerrar a quarta-feira em alta de 1,07%, cotado a R$ 5,52.
O Banco Central diminuiu a probabilidade de a inflação de 2025 ultrapassar o teto da meta, passando de 71% para 26%. Essa informação foi divulgada no Relatório de Política Monetária desta quinta-feira (18). A instituição prevê que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerre 2025 em 4,4%, ligeiramente acima do limite superior da meta, que é de 4,5%. A meta estabelecida é de 3%, com uma margem de tolerância de até 4,5%. Segundo o último Boletim Focus, o mercado agora espera um IPCA de 4,36% para 2025, em comparação a 4,4% na pesquisa anterior, e a estimativa para o próximo ano foi ajustada de 4,16% para 4,10%. Para 2026, a previsão é de uma inflação de 3,5%.
Nos Estados Unidos, a inflação desacelerou em novembro, atingindo a menor taxa desde julho. O Índice de Preços ao Consumidor subiu 2,7% em relação ao ano anterior, após ter registrado 3% em setembro, segundo dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho nesta quinta-feira (18). Os dados de outubro não foram divulgados devido à paralisação de 43 dias do governo federal, que afetou a coleta e análise de dados econômicos.
Nos últimos dois meses, os preços ao consumidor aumentaram 0,2% de setembro a novembro, resultando em uma média mensal de 0,1%. Em setembro, houve uma alta de 0,3% em relação ao mês anterior. Economistas projetavam um aumento de 0,3% em novembro, mantendo a taxa anual de inflação estável em 3%, conforme estimativas da FactSet.
O relatório desta quinta-feira também mostrou uma desaceleração em uma medida importante da inflação subjacente. Excluindo alimentos e energia, que costumam ter preços voláteis, o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,2% entre setembro e novembro (média mensal de 0,1%), reduzindo a taxa anual para 2,6%, em comparação a 3% em setembro.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira que a comunicação da instituição visa manter a flexibilidade na condução da política de juros, evitando antecipar decisões ou sinalizar movimentos futuros ao mercado. “Não há setas apontadas nem portas fechadas nas decisões sobre juros. O objetivo é usar o tempo entre as reuniões para coletar dados e avaliar o cenário antes de tomar qualquer decisão”, declarou Galípolo.
*Com informações da Reuters*