Um estudo da CNT (Confederação Nacional do Transporte), divulgado nesta quarta-feira (17), revela que o Brasil enfrenta um déficit de R$ 100 bilhões em investimentos essenciais para a recuperação de suas rodovias federais e estaduais. Deste montante, R$ 79 bilhões precisam ser investidos pelo governo, enquanto o setor privado deve contribuir com R$ 21,5 bilhões.
A mais recente edição da Pesquisa CNT de Rodovias, um levantamento abrangente sobre as condições das estradas brasileiras, ressalta que os investimentos realizados na última década estão significativamente aquém do necessário. Durante esse período, os aportes anuais médios variaram entre R$ 10 bilhões nas rodovias públicas e R$ 12 bilhões nas concessionárias.
A CNT enfatiza que esses recursos são cruciais, especialmente para a reconstrução, restauração e manutenção das vias. A entidade aponta que um aumento nos investimentos poderia reduzir diretamente os custos operacionais do transporte, especialmente os relacionados às condições do pavimento.
Atualmente, 75% das rodovias sob gestão pública apresentam problemas no pavimento, o que pode elevar os custos operacionais em até 35,8% em média. Nas rodovias concedidas, 47% dos trechos também possuem algum tipo de deficiência.
Em 2025, 43% das rodovias do país foram classificadas como regulares, o que indica um “estágio inicial de deterioração” que pode evoluir para condições mais críticas, como ruim ou péssimo, se não forem feitas intervenções. O percentual de rodovias consideradas ruins ou péssimas caiu para 19,1% neste ano, em comparação a 26,6% em 2024, enquanto os trechos avaliados como ótimos ou bons aumentaram de 33% para 37,9% no mesmo período.
Evolução dos investimentos
Nos últimos três anos, os investimentos nas rodovias federais apresentaram uma leve recuperação. Até setembro deste ano, foram aplicados R$ 8,4 bilhões do orçamento destinado a essa categoria, representando 75% do valor autorizado para 2025. Em 2024, os investimentos totalizaram R$ 13,9 bilhões, mantivendo o mesmo nível observado em 2023. Em contraste, os aportes realizados entre 2021 e 2023 foram quase metade desse montante, evidenciando um longo período de baixos investimentos na infraestrutura rodoviária federal.