O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo ao término da reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (17), conforme relatado por fontes. De acordo com esses informantes, o partido União Brasil, que havia indicado Sabino, solicitou a devolução do cargo após a expulsão do ministro.
O nome de Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB), foi sugerido como o novo ocupante da pasta. A informação foi confirmada pelo senador Efraim Filho (União-PB), líder da sigla. Damião Feliciano, destacado coordenador das bancadas evangélica e negra na Câmara, participou das negociações para a indicação do novo ministro, que também envolveu a ala governista do partido.
A escolha de Feliciano conta com o respaldo do presidente do União Brasil, Antônio de Rueda, que havia anunciado a saída do partido do governo. A decisão de nomear um evangélico para o cargo é vista como uma estratégia de Lula para fortalecer suas relações com esse segmento do eleitorado.
Celso Sabino foi expulso do União Brasil no final do mês passado, após a cúpula do partido considerar que ele agiu com infidelidade ao desrespeitar uma ordem e permanecer à frente do ministério, contrariando a vontade da liderança partidária. Auxiliares de Lula afirmaram que, após a expulsão de Sabino, o União pediu a devolução da cadeira ministerial, levando a um acordo entre o partido e a equipe política do governo.
A saída de Sabino foi comunicada após a conclusão da reunião na Granja do Torto. Ele deve concorrer ao Senado nas próximas eleições.
Desembarque do União Brasil
Em setembro, o União Brasil aprovou uma resolução que determinava que seus filiados deixassem os cargos no governo de Lula. Segundo a norma aprovada pela liderança nacional do partido, os membros que não se afastassem da gestão poderiam enfrentar punições disciplinares, incluindo a expulsão, como ocorreu com Sabino, que optou por permanecer no Ministério do Turismo.
Apesar da adoção dessa medida rigorosa, o partido deixou espaço para continuar exercendo influência nas decisões governamentais. A decisão não afetou os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações), que, embora vinculados ao União Brasil, não são filiados à sigla.
Waldez Góes ocupa o ministério desde o início do mandato de Lula e é filiado ao PDT, mas deixou suas funções no partido para assumir o cargo como indicado do União Brasil, especificamente por Davi Alcolumbre. Frederico Siqueira, por sua vez, foi nomeado ministro das Comunicações em abril, assumindo a posição deixada por Juscelino Filho (União-MA), que saiu após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por supostas irregularidades em emendas parlamentares.
Após a saída de Juscelino, a vaga ficou desocupada por duas semanas, durante as quais o União Brasil chegou a indicar Pedro Lucas, deputado do Maranhão e líder do partido na Câmara, para o cargo. Contudo, dias depois, ele se desculpou com Lula em uma nota, afirmando que não aceitaria a oferta, em meio a uma disputa interna e preocupações sobre a influência do grupo próximo a Rueda e Pedro Lucas na bancada da Câmara.
A exigência para que os filiados deixassem a gestão foi aprovada após reportagens sugerirem uma possível conexão entre Antônio de Rueda, presidente do partido, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que Rueda nega. Em nota à imprensa, o partido expressou que via a influência do governo federal nas divulgações. A sigla afirmou perceber um “uso político da estrutura estatal” para prejudicar Rueda.
Além disso, o União Brasil formou uma federação partidária com o PP, liderado por Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro e aliado de Jair Bolsonaro (PL). A avaliação interna do União Brasil é de que a situação se tornou insustentável após Lula afirmar que Rueda não aprecia nem ele próprio, nem o governo. Rueda respondeu em uma nota, afirmando que a declaração do presidente ressaltava a importância da independência do partido e sua capacidade de atuar como uma força política que não se submete ao governo.