O Brasil enfrenta um desafio urgente. Atualmente, o país ocupa a presidência temporária e rotativa do Mercosul até meados do próximo ano, e a pressão interna para que a União Europeia finalize o pacto com o bloco econômico até 2025 só aumenta. Após mais de 20 anos de negociações, a conclusão desse acordo de livre comércio é vista como uma oportunidade de reduzir a dependência comercial em relação aos Estados Unidos e à China, além de unir dois importantes blocos econômicos. Juntos, a União Europeia e o Mercosul somam um PIB impressionante de cerca de US$ 22 trilhões e abrangem 718 milhões de pessoas.
Havia a expectativa de que o processo de ratificação pelo parlamento europeu fosse concluído ainda esta semana. No entanto, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declarou que “seria precipitado assinar o acordo nos próximos dias”. A razão para essa hesitação está relacionada a algumas salvaguardas que a Itália deseja implementar para proteger seus agricultores locais, as quais, segundo Meloni, “ainda não foram finalizadas”.
Anteriormente, os principais obstáculos nas negociações eram identificados na França e na Polônia. Os poloneses consideram que o acordo poderia significar “o fim” do mercado de aves e carne bovina, além de representar uma “ameaça” à agricultura nacional. Os franceses, por sua vez, também expressam preocupações sobre a segurança de seus agricultores.
Na terça-feira (16), o parlamento europeu votou sobre as cláusulas de salvaguarda, que funcionam como garantias contratuais. A análise no conselho europeu estava prevista para quinta-feira (18), mas fontes sugerem que há pouca margem de manobra após a declaração da Itália. Na sexta-feira (20), os deputados deveriam votar o acordo em si, mas agora a dúvida é se o tema será incluído na agenda do conselho. Essa incerteza trouxe desânimo às expectativas brasileiras.
“Espero que meu amigo Macron e a primeira-ministra Meloni assumam a responsabilidade e tragam boas notícias no próximo sábado, informando que assinarão o acordo e que não temerão perder competitividade em relação ao povo brasileiro”, afirmou o presidente Lula.
Os impactos do Acordo Mercosul-UE incluem a redução e eliminação de tarifas, com a isenção de impostos para 92% das exportações do Mercosul para a UE em até 10 anos, beneficiando setores como agropecuária, café e frutas. A abertura de mercado fortalecerá áreas estratégicas, como minerais, tecnologia e aeroespacial, além de fomentar compromissos ambientais e de sustentabilidade, como a aliança para o clima e o Acordo de Paris.