Nesta quarta-feira (17), Emmanuel Macron declarou que a França reagirá “com determinação” a qualquer tentativa da União Europeia de forçar a assinatura do acordo com o Mercosul. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também se manifestou, considerando a assinatura do tratado atual como prematura, o que fortalece a posição de Paris em sua demanda para adiar a implementação até 2026. “Se a Itália não estiver de acordo, é o fim”, alertou Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu.
Durante uma reunião do Conselho de Ministros, Macron enfatizou que a França se oporia de forma contundente a qualquer adoção apressada do acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul, segundo informações de Maud Bregeon, porta-voz do governo francês. Ele destacou que ainda não há clareza suficiente em relação às três exigências da França: “medidas-espelho, cláusula de salvaguarda e controles”.
Meloni também reiterou que um acordo neste momento seria “prematuro”. Na terça-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua expectativa de que as negociações avancem. “Espero que meu amigo Macron e a primeira-ministra Meloni assumam suas responsabilidades”, comentou Lula, ressaltando que parte das preocupações da França em relação aos agricultores é “infundada”. Ele indicou ainda sua disposição para fazer novas concessões nas conversas, conforme reportado pelo jornal francês Le Figaro.
A posição da Itália é crucial, uma vez que a França tem pressionado Bruxelas a postergar a assinatura do acordo para 2026. No entanto, a porta-voz do governo francês esclareceu que não há garantias sobre essa prorrogação. Em contrapartida, Alemanha e Espanha pedem que o acordo seja assinado ainda nesta semana, apoiando a colaboração entre a UE e o Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, planeja visitar o Brasil no sábado (20) para formalizar o acordo, mas precisa da aprovação da maioria qualificada dos Estados-membros da UE, que se reunirão em cúpula nesta quinta (18) e sexta-feira (19) em Bruxelas. A França, preocupada em evitar a insatisfação de seus agricultores, que tradicionalmente se opõem ao acordo, solicitou um adiamento da assinatura, alegando que o tratado ainda não é aceitável, especialmente devido aos riscos associados à importação de produtos agrícolas sul-americanos que não seguem as mesmas normas exigidas dos produtores europeus.
O acordo pode ser barrado se quatro países da UE, representando 35% da população do bloco, se opuserem. Além das objeções da França e da Itália, a Polônia também rejeita o pacto. “Isso demonstra que a França não está sozinha e que outros países europeus importantes apoiam a posição defendida pelo presidente”, comentou a porta-voz do governo francês. “Precisamos de comércio, e a agricultura também necessita disso, mas não a qualquer custo”, acrescentou Maud Bregeon.
França, Itália e Polônia são alguns dos países mais populosos da UE, e a Hungria também parece contrária ao acordo. “Se a Itália não estiver de acordo, é o fim”, afirmou Bernd Lange na terça-feira, em entrevista à Reuters. Por outro lado, países como Alemanha, Espanha e nações nórdicas favoráveis ao acordo argumentam que ele poderia impulsionar as exportações europeias, afetadas pelas tarifas dos EUA, e reduzir a dependência da China ao assegurar acesso a minerais.
Na terça-feira, eurodeputados votaram a favor de endurecer as cláusulas de salvaguarda para as importações de produtos agrícolas sul-americanos, o que exigirá novas negociações entre o Parlamento e o Conselho Europeu para alcançar um consenso. Representantes latino-americanos têm demonstrado impaciência; um oficial brasileiro advertiu que o acordo deve ser fechado “agora ou nunca”, uma vez que o Mercosul busca acordos com outros países, incluindo Japão, Índia e Canadá.