A Estação Ecológica (Esec) de Jutaí-Solimões, a Floresta Nacional (Flona) do Aripuanã e a Reserva Biológica (Rebio) do Manicoré agora contam com Planos de Manejo elaborados com a participação ativa da sociedade. Além disso, houve a revisão do Plano de Manejo da Reserva Biológica do Guaporé (RO).
Localizada entre os rios que dão origem ao seu nome, a Estação Ecológica de Jutaí-Solimões abrange 290 mil hectares do bioma amazônico. As portarias que aprovam os Planos foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) no final de novembro, marcando a implementação de diretrizes coletivamente definidas para a gestão dessas Unidades de Conservação (UCs) no estado do Amazonas.
Os Planos de Manejo são instrumentos essenciais de gestão, conforme a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Eles são elaborados em conjunto com as comunidades e instituições que atuam nas áreas protegidas, abordando aspectos como recursos naturais e valores fundamentais, zoneamento e suas utilizações, além de normas para o manejo sustentável.
O desenvolvimento do Plano de Manejo da Estação Ecológica teve início em 2019 e enfrentou desafios logísticos devido ao seu isolamento, sendo acessível apenas por via fluvial. O trabalho envolveu uma oficina realizada em Santo Antônio do Içá, onde participaram representantes do ICMBio, comunidades tradicionais, prefeituras locais e outras entidades relevantes.
Iury Valente, chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do ICMBio em Tefé, destacou a importância estratégica da Esec Jutaí-Solimões, ressaltando seu valor ecológico, hidrológico e arqueológico. Ele mencionou que a pandemia da COVID-19 trouxe desafios adicionais, mas a construção e publicação do Plano de Manejo refletem um esforço conjunto para alcançar os objetivos da unidade.
Criada em 1983, a Esec Jutaí-Solimões protege a biodiversidade e os recursos naturais de florestas inundáveis e de terra firme, beneficiando comunidades ribeirinhas e povos indígenas que historicamente habitam a região.
Na Flona do Aripuanã e Rebio do Manicoré, foi adotada a abordagem de um Plano de Manejo Integrado, dada a proximidade e interconexão entre as duas UCs. O processo de elaboração do plano começou em 2023, em paralelo à formação do Conselho Consultivo das UCs, que representa a diversidade local. A oficina de criação do plano foi realizada em Porto Velho (RO), reunindo cerca de 30 representantes de diversos setores envolvidos na gestão.
Caio Veiga, analista ambiental do NGI em Humaitá, expressou a satisfação com a aprovação do Plano, resultado de um esforço colaborativo que incluiu reuniões nas comunidades e municípios. Ele espera que o documento oriente usuários e beneficiários sobre as normas de uso do território.
A Flona do Aripuanã cobre 751 mil hectares e se estende pelos municípios de Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã, enquanto a Rebio do Manicoré protege 359 mil hectares em Manicoré e Novo Aripuanã. Ambas as UCs, criadas em 2016, estão localizadas em uma área estratégica para a proteção do bioma, especialmente sob a influência da BR-230 (Transamazônica).
Além disso, o ICMBio atualizou o Plano de Manejo da Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia, visando fortalecer a conservação da biodiversidade local. A revisão foi resultado de uma oficina participativa realizada em 2022.
A Rebio do Guaporé, criada em 1982, abriga uma rica diversidade de ecossistemas, incluindo áreas amazônicas e do Cerrado, além de ambientes alagáveis. A unidade é fundamental para pesquisa, educação ambiental e conservação, assegurando a proteção de seus recursos naturais para as futuras gerações.
*Com informações do ICMBio.