A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem priorizado o petróleo em sua abordagem agressiva em relação à Venezuela, conforme relatado pelo jornal The New York Times nesta terça-feira (16).
Apesar de a Casa Branca alegar que as operações militares no Caribe visam combater o narcotráfico, o NYT destaca outra preocupação que permeia o governo: assessores americanos estão defendendo uma ampliação do acesso às reservas petrolíferas venezuelanas.
A pressão se intensificou após Trump anunciar um bloqueio total a petroleiros que estão sob sanções ao entrarem e saírem do país. Informações do Relatório Mundial de Energia de 2025 apontam que a Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do planeta, totalizando 302,3 bilhões de barris.
Segundo o New York Times, a administração Trump tem realizado negociações discretas com Nicolás Maduro, com foco no setor petrolífero. O jornal relata que o presidente da Venezuela chegou a propor a abertura da indústria de petróleo do país para investidores americanos. No entanto, a Casa Branca rejeitou a oferta, desconfiando das intenções de Maduro, que é visto como alguém que busca ganhar tempo e resiste a deixar o poder.
Adicionalmente, aliados de Trump acreditam que um governo venezuelano sob a liderança da opositora María Corina Machado seria mais alinhado aos interesses dos Estados Unidos, limitando assim a influência da China e da Rússia na região. Em uma reportagem anterior, o NYT revelou que Trump considerou diversas opções de ações militares contra autoridades venezuelanas, incluindo planos para assumir o controle das reservas de petróleo do país.
Na mesma data, Trump anunciou através de uma rede social a imposição de um bloqueio total a todos os petroleiros que estão sob sanções e que operam em águas venezuelanas. O presidente acusou o governo venezuelano de roubar petróleo e terras dos americanos, afirmando que Maduro utiliza os recursos para sustentar um “regime ilegítimo” e financiar atividades terroristas, tráfico de drogas, sequestros e assassinatos.
Com base nessas alegações, Trump declarou que o regime venezuelano foi classificado como uma ORGANIZAÇÃO TERRORISTA ESTRANGEIRA e, por isso, um bloqueio integral foi imposto a todos os navios petroleiros sancionados. De acordo com o site Axios, atualmente, 18 embarcações que enfrentam sanções dos EUA estão em águas venezuelanas.
Em 2019, durante seu primeiro mandato, Trump já havia imposto sanções ao setor de petróleo da Venezuela como uma forma de pressionar o governo de Maduro, o que resultou na queda das exportações petrolíferas do país. Apesar das restrições, a Venezuela continua exportando cerca de 1 milhão de barris por dia, utilizando métodos como “navios fantasmas” que alteram frequentemente seus nomes e bandeiras para evitar sanções. Segundo a S&P Global, estima-se que 20% dos petroleiros mundialmente estejam envolvidos em contrabando de petróleo de países sob sanções, sendo que Rússia e Irã também utilizam táticas semelhantes.