A ascensão de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos no início deste ano sinalizou um aumento significativo nas tensões militares com a Venezuela. O primeiro movimento do presidente em relação ao país sul-americano, ocorrido em fevereiro, foi classificar várias organizações criminosas venezuelanas como grupos terroristas, o que facilitou a deportação de diversos cidadãos venezuelanos dos EUA, acusados de fazer parte desses grupos. Contudo, essa medida foi temporariamente interrompida por uma decisão judicial.
Em agosto, os EUA elevaram a recompensa por informações que levassem à captura do presidente Nicolás Maduro, além de iniciar o envio de navios, aviões e um submarino nuclear para a região caribenha. No mês seguinte, forças norte-americanas passaram a atacar embarcações no Caribe e no Pacífico, alegando que essas embarcações estavam envolvidas no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA.
Recentemente, surgiram relatos sobre conversas telefônicas entre Trump e Maduro, nas quais o governo americano teria exigido a saída do presidente venezuelano do país. Além disso, os EUA autorizaram operações especiais da CIA na Venezuela e manifestaram a intenção de realizar ações terrestres.
No final de novembro, Washington decidiu fechar o espaço aéreo da Venezuela, recomendando que cidadãos americanos não visitassem o país ou deixassem o território venezuelano se já estivessem lá. Em dezembro, Trump anunciou a implementação de um bloqueio “total e completo” a todos os petroleiros sancionados que entrassem ou saíssem da Venezuela.
A seguir, uma linha do tempo detalha a escalada das tensões entre os EUA e a Venezuela:
**Linha do Tempo do Conflito EUA-Venezuela**
– **20 de fevereiro**: O governo Trump classifica oito organizações criminosas, incluindo o Tren de Aragua, como grupos terroristas.
– **16 de março**: Mais de 200 venezuelanos são deportados para El Salvador, onde o governo local teria recebido compensações financeiras para mantê-los em prisão.
– **18 de julho**: Troca de prisioneiros entre os EUA e a Venezuela, mediada pelo presidente de El Salvador.
– **8 de agosto**: A recompensa por informações sobre Maduro é elevada para US$ 50 milhões, acusando-o de ser um dos principais narcotraficantes globais.
– **19 de agosto**: Despacho de navios militares americanos para o Caribe, sob a justificativa de combater o narcotráfico.
– **2 de setembro**: Primeiro ataque a embarcações venezuelanas no Caribe, resultando na morte de 11 pessoas.
– **3 de outubro**: O quarto ataque americano resulta em mais mortes em águas internacionais.
– **12 de novembro**: O USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, chega à América Latina.
– **16 de novembro**: Anúncio da designação do Cartel de los Soles como organização terrorista, com acusações contra Maduro e seu governo.
– **28 de novembro**: Relatos sobre uma conversa entre Trump e Maduro, enquanto os EUA continuam a ameaçar ações militares.
– **2 de dezembro**: O governo Trump suspende pedidos de imigração de cidadãos venezuelanos e menciona a possibilidade de uma ação terrestre.
– **16 de dezembro**: Trump ordena um bloqueio total a todos os petroleiros sancionados em movimento com a Venezuela, classificando o governo de Maduro como uma organização terrorista.
O cenário continua a evoluir, com os Estados Unidos intensificando suas operações e ameaças, enquanto a Venezuela resiste às pressões externas.