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O copo e o silêncio: o crescimento alarmante do álcool entre mulheres

Freepik/ reprodução

Historicamente, o consumo excessivo de álcool foi visto como uma questão predominantemente masculina. Em ambientes como bares, nas estatísticas e até na percepção social, a bebida parecia ter um peso maior para os homens. Contudo, essa realidade está mudando e traz à tona uma preocupação crescente em relação às mulheres.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2006 e 2018, o uso abusivo de álcool entre mulheres aumentou em 42,9%, enquanto os índices masculinos se mantiveram relativamente estáveis. Um estudo recente da Revista Brasileira de Epidemiologia mostrou que o consumo problemático entre mulheres cresceu de 7,7% em 2006 para 15,2% em 2023.

Esse aumento ocorre de forma discreta, frequentemente no ambiente doméstico, e ainda é cercado por estigmas. Recentemente, o tema ganhou destaque nas políticas públicas, com a sanção de uma lei pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assegura assistência especializada a mulheres que usam ou são dependentes de álcool no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo IBGE, 17% das mulheres adultas relatam consumir álcool pelo menos uma vez por semana. Especialistas acreditam que esses números indicam uma mudança no comportamento, mas também revelam riscos particulares.

Os primeiros sinais de alerta, conforme explica o psicólogo e doutor Vladimir Melo, aparecem nas alterações da rotina. “O consumo se torna preocupante quando começa a afetar a vida cotidiana. Atrasos no trabalho, faltas, diminuição da produtividade e conflitos familiares são indicadores claros”, afirma.

As mulheres podem ser mais suscetíveis a esses problemas devido a fatores sociais, como a sobrecarga de responsabilidades e um aumento nas taxas de depressão. “Ansiedade, depressão e relacionamentos abusivos atuam como gatilhos comuns. Sem uma rede de apoio ou recursos emocionais, muitas optam pelo álcool como uma forma acessível de aliviar a pressão. Muitas sofrem em silêncio devido ao medo de serem julgadas”, ressalta Melo.

Além das questões sociais, fatores biológicos e emocionais também desempenham um papel. O psicólogo aponta que a dependência do álcool tende a se desenvolver mais rapidamente entre mulheres. “Elas apresentam uma vulnerabilidade biológica e uma carga emocional significativa. Relatos de jornadas duplas ou triplas, com responsabilidades tanto em casa quanto no trabalho, são frequentes. Para muitas, o álcool serve como uma válvula de escape”, acrescenta.

A psicóloga Kênia Ramos de Souza observa que as mulheres, em geral, desenvolvem complicações físicas e psíquicas com menos tempo de consumo e menores quantidades de álcool. “Elas estão mais propensas a transtornos de ansiedade, depressão e têm um histórico mais elevado de trauma e violência. Já os homens costumam apresentar ligação com agressividade e impulsividade”, explica.

Segundo Kênia, mulheres metabolizam o álcool de maneira diferente, possuem menor quantidade de água corporal e são mais sensíveis ao fígado. “Fatores hormonais e emocionais também contribuem para que a transição do uso recreativo para o uso problemático ocorra de forma mais rápida”, completa.

Essa vulnerabilidade é reforçada pela médica psiquiatra Fernanda Rasia, que faz parte da equipe da plataforma de saúde digital INKI. “As mulheres enfrentam maior risco de doenças hepáticas alcoólicas, problemas cognitivos e cardiomiopatia, além de uma prevalência maior de comorbidades psiquiátricas e um estigma social mais acentuado”, enumera.

Os especialistas também notam que muitas mulheres consomem álcool sozinhas, em casa. “Após longas jornadas de trabalho e cuidados familiares, esse comportamento é frequentemente minimizado ou mesmo romantizado, como ‘um copo de vinho para relaxar’, o que oculta os sinais iniciais de dependência”, afirma Kênia.

Fernanda Rasia destaca que há um padrão de consumo feminino que geralmente passa despercebido. “O hábito de beber diariamente, mesmo que de forma leve a moderada, como uma taça de vinho à noite, acaba sendo normalizado, inclusive em produções audiovisuais. O risco cumulativo é muitas vezes subestimado, tanto por quem convive quanto pela própria mulher”, observa.

Ela também menciona o fenômeno conhecido como telescoping, identificado em algumas pesquisas. “Isso se refere a um intervalo mais curto entre o início do consumo excessivo e o desenvolvimento da dependência ou complicações. Os fatores que influenciam incluem metabolismo, hormônios e uma maior sensibilidade neurobiológica, além da alta prevalência de problemas emocionais. Embora não ocorra em todos os casos, é um sinal de alerta importante”, explica.

Para Vladimir Melo, o sistema de saúde ainda está em um estágio inicial no acolhimento de mulheres com problemas relacionados ao álcool. “Há uma escassez de serviços especializados para mulheres com dependência alcoólica. Diante do aumento dos casos, isso se torna uma questão urgente para a saúde pública e privada”, observa.

A atenção às mulheres que enfrentam o alcoolismo agora conta com diretrizes específicas no SUS. A nova lei sancionada pelo presidente Lula, publicada no Diário Oficial da União, assegura a gestantes, puérperas e outras mulheres o direito a um atendimento multiprofissional especializado em todo o país.

Essa norma altera a Lei Antidrogas (Lei nº 11.343/2006) e obriga o governo a oferecer um acompanhamento contínuo, integrado e humanizado, levando em conta as particularidades físicas, emocionais e sociais das pacientes. O atendimento deve incluir prevenção, tratamento clínico e articulação entre a atenção básica, serviços especializados e redes de suporte.

Na prática, a legislação busca abordar um problema que avança rapidamente. Além do aumento de 42,9% no consumo abusivo entre mulheres, o Relatório Global sobre Álcool e Saúde da OMS, divulgado em 2024, aponta que o Brasil registrou 91,9 mil mortes relacionadas à dependência alcoólica.

Os efeitos do álcool tendem a ser mais graves no organismo feminino, elevando o risco de doenças hepáticas, cardiovasculares, câncer e danos neurológicos. Ademais, existem barreiras como o medo do julgamento social, a falta de serviços adequados e a sobrecarga com filhos e tarefas domésticas.

Com a criação de diretrizes específicas, a nova lei visa minimizar esses obstáculos, ampliar o acesso ao cuidado e proporcionar um atendimento mais sensível à realidade das mulheres. A expectativa é que isso contribua para a redução dos danos sociais e dos agravos à saúde causados pelo alcoolismo feminino, especialmente em contextos relacionados à gravidez e ao pós-parto.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade