O relatório indica que a inflação continua sob pressão devido à demanda, além de incertezas tanto no cenário interno quanto externo, reforçando a necessidade de cautela na gestão da política monetária. O texto ressalta que o processo de desinflação enfrenta desafios, especialmente em relação à inflação de serviços, que é afetada por um mercado de trabalho aquecido. Nesse sentido, a autoridade monetária concluiu que a pressão inflacionária demandará a adoção de uma política monetária restritiva por um longo período.
No que diz respeito ao cenário internacional, o documento menciona que as incertezas persistem no curto e no longo prazo, mesmo com avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos. “O contexto externo continua incerto devido à situação econômica e às políticas dos EUA, o que repercute nas condições financeiras globais. Esse ambiente demanda cautela por parte dos países emergentes, especialmente em meio a tensões geopolíticas.”
Em relação à política fiscal, o Comitê observa que ela impacta a inflação no curto prazo, ao aquecer a demanda, e no longo prazo, ao afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública. Para o grupo, uma abordagem fiscal que seja previsível, confiável e contracíclica ajuda a mitigar riscos e a favorecer a convergência da inflação para a meta.
O relatório também adverte que a fragilização das reformas e da disciplina fiscal pode elevar a taxa de juros neutra, tornando o processo de desinflação mais oneroso, o que acentua a necessidade de uma coordenação entre as políticas fiscal e monetária. “A sinergia entre essas políticas é crucial para a eficácia na luta contra a inflação.”
Por último, o Copom reafirma sua vigilância sobre o cenário econômico, mencionando que as futuras diretrizes da política monetária poderão ser reavaliadas. “O Comitê destaca que manterá a atenção nas condições econômicas e que ajustes na política monetária poderão ser realizados, reafirmando que, se necessário, não hesitará em reiniciar o ciclo de ajustes”, conclui o documento.