Ao acionar a Lei Maria da Penha contra o deputado federal André Janones, a prefeita de Ituiutaba (MG), Leandra Guedes, apresentou uma imagem de sua lingerie como evidência da acusação. Ela alega que o parlamentar a chantageou com “pornografia de retaliação”, ameaçando divulgar fotos e vídeos íntimos em resposta ao término de seu relacionamento, buscando influenciá-la em sua administração municipal.
No processo, Leandra incluiu uma lingerie preta que guarda até hoje, com a intenção de demonstrar que a imagem pela qual foi ameaçada, onde aparece de costas, realmente é dela. A prefeita, que manteve um relacionamento com Janones entre 2014 e 2018, afirmou que as fotos e possíveis vídeos feitos por ele não contaram com sua autorização.
Leandra apresentou a lingerie como parte da prova em sua denúncia, revelando que o deputado teria enviado a imagem a Conrado Pereira, atual secretário de Saúde de Ituiutaba, com o intuito de que ele repassasse a mensagem da chantagem. “Conforme Conrado relatou, em uma ligação com André [Janones], ele foi instruído a me avisar que a divulgação daquela imagem e de outras seria apenas o início, e que ele estava disposto a arruinar minha reputação”, contou a prefeita no processo. A ação tramita em sigilo no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Em janeiro deste ano, a Justiça concedeu medidas protetivas em favor de Leandra, proibindo Janones de manter contato ou se aproximar a menos de 300 metros da prefeita, além de frequentar os mesmos locais e divulgar fotos ou vídeos dela. A decisão também estipulou que André Janones pode ser preso em flagrante caso não cumpra essas determinações.
“É necessário que o ofensor seja advertido de que violar as medidas protetivas é crime, conforme o artigo 24-A da lei n. 11.340/2006, permitindo sua prisão em flagrante”, afirmaram os juízes na decisão.
Procurado para comentar sobre a situação, André Janones ainda não se manifestou. O espaço permanece disponível para sua resposta.
Na justificativa para as medidas protetivas, a Justiça destacou: “Embora os eventos estejam inseridos em um contexto político, o que poderia suscitar um debate sobre a competência deste juízo, é importante reconhecer que, além de suas posições, os envolvidos tiveram um relacionamento íntimo, e são essas ameaças que se manifestam. A narrativa indica um possível cenário de violência psicológica e moral, com ameaças que transcendem a esfera profissional da vítima, afetando diretamente sua vida pessoal, com o temor pela divulgação de imagens íntimas a terceiros, que não têm relação com questões políticas, mas com sua privacidade.”
“Em resumo, a ameaça de expor fotos íntimas da ex-companheira não se insere em um contexto político. Trata-se de uma violação da privacidade da mulher, independentemente de sua posição. Mesmo que o objetivo do ofensor seja influenciar a vítima em sua vida profissional, a essência do problema continua sendo a violência contra a mulher e o impacto emocional que pretende causar, prejudicando seu desenvolvimento pessoal e controlando suas ações.”
Antes de ser eleita e reeleita prefeita de Ituiutaba, reduto eleitoral de Janones em Minas Gerais, Leandra Guedes atuou como chefe de gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados em Brasília.
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