Com seu estilo característico, Donald Trump fez questão de zombar das nações que tentam negociar com os Estados Unidos na tentativa de reduzir as exorbitantes tarifas de importação que foram impostas aos seus produtos. Durante um evento de arrecadação de fundos para o Partido Republicano, o presidente americano declarou: “Esses países me ligam, desejam se submeter a mim, estão ansiosos para fechar um acordo”.
Em uma imitação caricatural das súplicas de líderes estrangeiros, Trump disse: “Por favor, senhor, faça um acordo. Eu farei qualquer coisa, senhor”. Ele enfatizou que os Estados Unidos “não precisam necessariamente” desses acordos, insinuando que o país é autossuficiente.
Poucas horas depois, a situação se complicou. A China retaliou as tarifas de 104% impostas a seus produtos, implementando tarifas de 84% sobre mercadorias americanas. Elon Musk, cuja empresa Tesla depende amplamente do mercado chinês, pode ter que intensificar suas relações com o presidente de modo mais próximo.
Em seguida, a União Europeia anunciou tarifas escalonadas sobre US$ 23 bilhões em produtos provenientes de estados americanos com forte presença republicana, como Louisiana e Georgia. Ao contrário da China, que se comprometeu a lutar contra as tarifas, os europeus mostraram resistência à guerra comercial, indicando que suas novas tarifas poderiam ser revogadas se os Estados Unidos se dispusessem a dialogar seriamente com a União Europeia, sem envolvimento de ações humilhantes.
O estrago causado por Donald Trump é profundo e irreversível, muito além das perdas financeiras nos mercados. Sua arrogância e irresponsabilidade minaram a base das relações econômicas e pessoais: a confiança. A desconfiança em relação ao presidente americano é palpável, e essa falta de fé afetará os Estados Unidos por um período indeterminado. O país, antes um porto seguro para investidores e aliados, se tornou um cenário de incerteza, especialmente se o próximo presidente seguir a mesma linha ideológica.
A desconfiança em relação aos Estados Unidos é tão intensa que há discussões na Alemanha sobre a possibilidade de repatriar o ouro mantido em Nova York, sob a custódia do Federal Reserve. A Alemanha, que possui a segunda maior reserva de ouro do mundo, mantém 37% de suas reservas do outro lado do Atlântico, uma decisão que remonta à Guerra Fria, quando o medo da invasão soviética pairava sobre a Europa Ocidental.
Atualmente, essa reserva totaliza 1.236 toneladas, equivalentes a cerca de US$ 113 bilhões. Os defensores da repatriação, liderados por uma associação de contribuintes, temem que o presidente americano possa, de alguma forma, se apropriar do ouro alemão sob pretextos questionáveis. A solução mínima, segundo eles, seria realizar uma contagem física dos lingotes em Nova York, especialmente após Trump, apoiado por Elon Musk, levantar dúvidas sobre a segurança da reserva de ouro dos Estados Unidos em Fort Knox. Ninguém realmente deseja se submeter ao presidente americano; isso é apenas uma fantasia de sua própria criação.
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