Uma coalizão composta por 12 estados americanos moveu uma ação judicial com o objetivo de bloquear a fusão avaliada em US$ 111 bilhões (aproximadamente R$ 571 bilhões) entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery. A ação antitruste, protocolada nesta terça-feira, questiona a autorização concedida pelo Departamento de Justiça dos EUA no mês anterior.
A iniciativa é liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, que argumenta que a fusão infringiria a Lei Clayton, ao reduzir a concorrência em áreas essenciais do setor audiovisual, abrangendo tanto cinema quanto televisão. Os estados envolvidos na ação expressam preocupação de que a união das duas empresas possa resultar em aumento de preços para o consumidor, além de uma diminuição na variedade de filmes e séries disponíveis.
Em um comunicado, Bonta destacou as implicações negativas da fusão, afirmando que a combinação de duas grandes forças do entretenimento resultaria em custos mais altos, qualidade inferior e uma oferta reduzida de conteúdo para o público. “Essa fusão ilegal afetaria cinemas, distribuidoras de TV a cabo e, em última instância, todos os espectadores nos Estados Unidos”, declarou.
A ação judicial conta com o apoio de representantes da indústria cinematográfica e de sindicatos de roteiristas. Michael O’Leary, CEO e presidente do Cinema United, expressou sua satisfação com a decisão dos procuradores-gerais de diversos estados em desafiar a fusão proposta, enfatizando que as consequências de uma maior consolidação entre estúdios seriam profundas e duradouras.
Além disso, entidades que representam roteiristas também manifestaram críticas ao acordo, alertando sobre os riscos de cortes de empregos. Michele Mulroney, presidente do Writers Guild of America West, classificou a fusão como uma das mais prejudiciais já propostas, reiterando que a combinação da Warner Bros. Discovery com a Paramount representa uma ameaça significativa para os profissionais da indústria e deve ser impedida.
Tom Fontana, presidente do WGA East, acrescentou que a fusão poderia ter um impacto devastador sobre os trabalhadores do setor. “As pessoas podem perder seus empregos, suas fontes de renda e suas casas. O dano que esse acordo causaria às indústrias de entretenimento e notícias nos Estados Unidos seria catastrófico”, afirmou.
Em uma coletiva de imprensa, Bonta criticou a administração Trump por ter aprovado a fusão, alegando que o governo falhou em proteger a concorrência no mercado. “A administração anterior não apenas falhou, mas também piorou a situação ao permitir essa fusão”, disse.
A Paramount, por sua vez, reagiu à ação judicial, afirmando que ela distorce a realidade do mercado de entretenimento atual. Em um comunicado, o estúdio argumentou que a ação representa uma aplicação incorreta das leis antitruste e está errada tanto em termos de fatos quanto de direito.
Além disso, a Paramount alertou que o adiamento da fusão prejudicaria os trabalhadores da indústria, que já enfrentam dificuldades devido às mudanças tecnológicas que impactaram seus empregos. “Postergar essa transação só irá danificar os trabalhadores do entretenimento, que já sofreram perdas significativas nos últimos anos”, declarou a empresa.
A Paramount concluiu sua defesa afirmando que a ação judicial protege plataformas de streaming dominantes, como a Netflix, e empresas de tecnologia, dificultando a concorrência necessária no setor. O estúdio reiterou seu compromisso em defender a fusão proposta.