A recente estreia de “Corra Que a Polícia Vem Aí!” nos cinemas do Brasil trouxe uma nova abordagem à dublagem, contando com a participação de Pamela Anderson e Liam Neeson. Este filme não apenas mantém o humor característico da franquia, mas também o adapta com piadas e referências que ressoam no contexto brasileiro. Neeson é dublado por Armando Tiraboscho, enquanto Angelica Santos dá voz ao personagem de Anderson.
A equipe por trás desse trabalho de dublagem é composta por profissionais renomados, como o diretor Wendel Bezerra e o roteirista e comediante Antônio Tabet, que se dedicaram a oferecer ao público uma experiência que vai além da mera tradução — promovendo uma verdadeira adaptação cultural. Para ilustrar isso, sem contar detalhes que possam estragar a experiência para quem ainda não viu o filme, há várias piadas de duplo sentido e menções a clubes de futebol do Brasil.
Luciana Falcão, diretora de marketing da Paramount Pictures Brasil, enfatiza que este clássico dos anos 1990 conquistou várias gerações de brasileiros através de suas exibições na televisão. “Trabalhamos a nostalgia, mas era crucial adaptar as piadas para preservar o humor da época, ao mesmo tempo que acrescentamos um toque contemporâneo”, comenta.
A equipe de dublagem, com a expertise de Wendel Bezerra e o talento humorístico de Antônio Tabet, se dedicou a adaptar o roteiro, inserindo trocadilhos, gírias e referências que dialogam com o público brasileiro. Em uma entrevista exclusiva, Tabet destacou que esse cuidado na tradução demonstra um respeito pelo público nacional. Para ele, a adaptação de “Corra Que a Polícia Vem Aí” não foi feita de forma leviana, mas sim com a intenção de honrar a obra original. “Não simplificaram, nem tornaram o filme infantil. A ideia não era pensar que quem assiste dublado não é inteligente o suficiente para entender”, afirma.
Foi a primeira vez que uma produção compreendeu que a dublagem deve manter a essência e as piadas do filme original. Alterar completamente o conteúdo é uma forma de subestimar o público brasileiro, como se fosse necessário “limpar” o filme antes de apresentá-lo. Tabet critica essa mentalidade, argumentando que isso é um tipo de preconceito e um problema sério, já que impõe uma visão elitista sobre quem consome conteúdo dublado.
Ele também observou que cerca de 30% a 40% das piadas do filme precisaram ser adaptadas para que funcionassem em português. “Muitas piadas em inglês não fazem sentido se traduzidas ao pé da letra. Nossa missão foi garantir que fossem engraçadas para quem não conhece o contexto americano”, explica.
Além disso, a Paramount permitiu que o humor do filme não fosse “pasteurizado”. “A orientação foi clara: queremos que seja engraçado, coerente e o menos politicamente correto possível”, revela Tabet, embora ele ressalte a diferença entre ser politicamente incorreto e ofensivo.
Wendel Bezerra, o diretor de dublagem, destacou que seu papel foi assegurar que as piadas adaptadas funcionassem tanto no texto quanto na sincronia labial e no ritmo das cenas. Um dos desafios foi adaptar referências culturais específicas dos EUA. Em uma cena, uma piada sobre times de futebol americano foi trocada por uma alusão ao Palmeiras, mantendo a essência do humor sem infringir direitos autorais.
Com um trabalho cuidadoso de adaptação, direção de dublagem e uma pitada de humor local, a versão dublada respeita a inteligência e o gosto do espectador, seja ele um fã fervoroso da saga original ou um novato no mundo dessa comédia policial leve.