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Diplomatas apostam em encontro de Lula com Trump no G7 para evitar novas tarifas dos EUA contra o Brasil

1 de 1 Lula e Trump em encontro na Casa Branca — Foto: Ricardo Stuckert

Diplomatas brasileiros apostam em um eventual novo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o encontro do G7, na França, destravar negociações sobre ameaça de novas tarifas ao Brasil.
O governo brasileiro avalia que as recomendações de novas tarifas contra o Brasil têm caráter político e desconsideram os argumentos técnicos apresentados ao longo dos últimos meses.
Nas últimas semanas, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) recomendou, por exemplo, que o Brasil seja taxado por práticas econômicas desleais contra empresários americanos.
Entre os itens incluídos na recomendação estão o PIX, o etanol, o combate ao desmatamento e a propriedade intelectual.
Essa recomendação, ainda não implementada, foi feita com base na chamada Seção 301 da lei comercial americana, instrumento criado na década de 1970.
Desde julho de 2025, quando o governo Trump anunciou a abertura da investigação comercial, foram diversas conversas entre integrantes dos governos brasileiro e americano, seja por telefone, videoconferência ou reuniões em Washington.
Conforme relatos sobre das negociações, em todas essas conversas, foram apresentados dados oficiais às autoridades americanas; questionamentos foram respondidos; e dúvidas, esclarecidas.
Diplomatas a par das negociações avaliam que estes argumentos foram desconsiderados, entre os quais os que demonstram que nos últimos anos o Brasil vem buscando combater o desmatamento ilegal.
O Brasil não faz parte do G7, mas, a exemplo de edições anteriores, Lula foi convidado pelo anfitrião do encontro – neste ano, o presidente da França, Emmanuel Macron. O encontro acontece na próxima semana.
Lula e Trump já se encontraram na Malásia, em outubro de 2025, e em Washington, em maio deste ano – além de uma rápida conversa no ano passado em Nova York (EUA), durante assembleia da Organização das Nações Unidas.
Integrantes do Palácio do Planalto entendem que, como no USTR as conversas técnicas não têm evoluído, um possível caminho é um encontro direto entre Lula e Trump.
Lei da Reciprocidade
Diante do tarifaço americano contra o Brasil, o Congresso Nacional, com o apoio do governo, aprovou a chamada Lei da Reciprocidade, que permite ao Estado brasileiro agir na mesma proporção caso algum parceiro econômico adote medida que implique em prejuízo à economia do país.
Ao longo das últimas semanas, o governo brasileiro emitiu dois comunicados oficiais nos quais fez referência a essa lei.
Entretanto, no Itamaraty, diplomatas afirmam que, apesar de ter o instrumento à disposição, o governo deve insistir nas negociações políticas e diplomáticas.
Isso porque os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China. Portanto, poderia ser ruim pra economia adotar a lei da reciprocidade, prejudicando o comércio bilateral.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade