A situação não é encorajadora para o universo cinematográfico da Marvel. O que realmente cresceu nos últimos anos foi o desinteresse pelas novidades que a antiga Casa das Ideias (ou seria de ilusões?) apresenta.
“Quarteto Fantástico” é um filme cativante, mas talvez tenha sido feito em excesso para agradar os fãs dos quadrinhos originais. E sejamos francos, esse público não é tão numeroso assim atualmente. A produção foi uma tentativa de agradar, e sou grato por isso, mas ainda assim, foi para uma plateia restrita.
Os anúncios sobre os próximos capítulos dessa narrativa interminável não conseguem provocar mais do que alguns bocejos e reações discretas. Um novo filme dos Vingadores está a caminho, agora com uma infinidade de universos alternativos se colidindo. “Paralelas que se cruzam em Belém do Pará”, como Humberto Gessinger cantava.
Parece que a Era das Expectativas Descontroladas está se encerrando. Ao invés de adorar o próximo episódio, as pessoas estão começando a exigir, além de um começo e meio, um fim que tenha dignidade.
Espero que a narrativa interconectada da Marvel nas telonas encontre logo seu merecido esquecimento. Eles repetiram o erro crítico dos quadrinhos. Nos primórdios, durante a era de Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko, o universo compartilhado era um charme. Imaginar todos aqueles heróis coexistindo na mesma Nova York era fascinante.
Com o tempo, esse recurso narrativo se transformou em uma prisão para os criadores e um fardo para os leitores. A experiência de ler quadrinhos se tornou uma jornada excessivamente complexa. Os leitores ocasionais foram desaparecendo, restando apenas os entusiastas mais fervorosos.
Agora, os filmes enfrentam a realidade que aprendemos nos quadrinhos. É preciso destruir tudo e começar de novo. Onde está Thanos quando os heróis da Marvel mais necessitam dele?
Voltaremos em breve com mais atualizações.