Atualmente, James Gunn se destaca como um dos cineastas mais habilidosos na adaptação de super-heróis das histórias em quadrinhos para o cinema. Sua trajetória, no entanto, não parecia inicialmente direcionada a esse universo. Começando como roteirista em projetos da produtora Troma, ele rapidamente ascendeu aos grandes estúdios ao escrever os roteiros das duas versões live-action de Scooby-Doo, além de ter colaborado com Zack Snyder no remake do filme de terror “Madrugada dos Mortos”.
Gunn fez sua estreia como diretor com “Seres Rastejantes”, um filme de 2006 que, apesar de ter arrecadado um modesto orçamento de US$ 15 milhões, destacou seu talento para misturar terror e humor. Após trabalhar na comédia “Super”, que traz Rainn Wilson como um anti-herói em uma fantasia de combate ao crime, ele foi recrutado pela Marvel para dirigir “Guardiões da Galáxia”, um marco que mudou sua carreira.
O sucesso tanto crítico quanto comercial de “Guardiões da Galáxia” revelou a habilidade de Gunn em criar conexões emocionais entre personagens fantásticos e o público, mantendo uma essência independente mesmo em produções de grande orçamento. A sequência solidificou sua reputação, mas também trouxe desafios, como a polêmica envolvendo tweets antigos que resultaram em sua demissão pela Disney, antes de a pressão de fãs e colegas levá-los a reverter a decisão. Em vez de se deixar abater, ele dirigiu “O Esquadrão Suicida” para a concorrência, e a DC, buscando se distanciar da abordagem sombria dos filmes de Zack Snyder, encontrou em Gunn o candidato ideal para liderar sua nova fase.
Após concluir “Guardiões da Galáxia Vol. 3”, uma aventura empolgante, Gunn assumiu o cargo de CEO do recém-criado DC Studios, em parceria com Peter Safran, e iniciou um processo de reestruturação. Ele dirigiu a série “O Pacificador” e a animação “Creature Commandos” antes de se voltar para o cinema, trazendo à vida “Superman”, que inaugura um novo universo de “deuses e monstros”. Em uma conversa sobre o retorno do Homem de Aço, Gunn discutiu suas experiências e expectativas.
Ao ser questionado sobre a diferença em sua abordagem em relação a heróis menos conhecidos, como os Guardiões, e o icônico Superman, ele destacou que a pressão das expectativas é um fator significativo. Enquanto “Guardiões” não tinha um modelo claro, a expectativa em relação ao Superman era palpável. Contudo, ele vê a essência do trabalho como a mesma: contar a história de um indivíduo com uma base sólida, seja no universo cósmico da Marvel ou no mundo da DC, onde metahumanos, robôs e criaturas fantásticas coexistem.
Gunn também comentou sobre a difícil tarefa de equilibrar as diferentes expectativas do público, que variavam desde desejos de uma representação nostálgica do filme de Richard Donner até uma abordagem mais sombria como a de Zack Snyder. Ele revelou que, durante o processo criativo, consegue ignorar o ruído externo e se concentrar em suas ideias, embora os momentos de reflexão possam ser desafiadores.
A nostalgia desempenhou um papel importante em sua interpretação do Superman, como ele explicou ao compartilhar como a experiência de assistir ao filme de Donner impactou sua vida. Ele se esforçou para capturar essa mesma essência no novo filme, enquanto incorporava elementos reconhecíveis, como a trilha sonora de John Williams, ao mesmo tempo em que modernizava aspectos que não se encaixariam no contexto atual.
“Superman” marca o início de uma nova fase para os filmes da DC, com projetos como “Supergirl” já filmados e “Lanternas” em produção. No entanto, Gunn reconheceu que houve algumas mudanças no cronograma, refletindo sobre como sua abordagem na DC difere da da Marvel. Embora existam semelhanças, ele enfatizou a importância de garantir que cada roteiro esteja finalizado e em ótimo estado antes de entrar em produção, uma regra que, segundo ele, distingue sua visão da metodologia da Marvel.