Ney Matogrosso, aos 83 anos, é famoso por sua autenticidade e pela disposição em se expor sem receios. Não poderia ser diferente no documentário sobre sua trajetória. “Homem com H”, que estreia hoje nos cinemas, revela, de maneira crua, aspectos da vida do cantor: sua carreira, amores e peripécias.
Em uma conversa com a Splash, o diretor Esmir Filho, de 42 anos, e o ator Jesuíta Barbosa, de 33, que interpreta Ney no filme, discutiram as cenas de sexo explícito que permeiam a narrativa e o motivo pelo qual acreditam que é importante que as mães assistam à obra.
“Sexo é uma força vital, é essência”, afirmaram. O longa explora a sexualidade de Ney Matogrosso de forma desinibida, abordando desde a descoberta sexual até o afeto em tempos de enfermidade. Em suas próprias palavras, Esmir destacou: “Ney sempre dizia, nos anos 1970, que desejava um público ‘enorme para se relacionar’. Nossa intenção foi ser honesto sobre a sexualidade”.
As cenas são fundamentais para a narrativa, abordando momentos como a primeira experiência de Ney, seu turbilhão de desejos, o encontro com Cazuza e o carinho no banho com Marco, seu parceiro. “O sexo no cinema vai além da exposição; é parte da história”, enfatizou Esmir.
Quando questionado sobre a possível reação de espectadores mais conservadores, Esmir foi direto: “Vamos levar nossas mães! Para Ney, falar sobre sexualidade, sensualidade e erotismo é algo natural. Ele é pura energia erótica!”
Entretanto, Ney Matogrosso revelou que sua mãe, Beita de Souza Pereira, de 103 anos, não poderá assistir ao filme, pois sua saúde física e mental está bastante debilitada. Ney comentou: “Minha mãe, até os 100 anos, cuidava do meu sítio e dos empregados, mas agora está em uma situação complicada. Muitas vezes, ela já não me reconhece”.
Sobre o desafio de filmar cenas íntimas, tanto Esmir quanto Jesuíta ressaltaram a importância de que essas cenas sejam “orgânicas e artísticas”. “Iniciamos com exercícios de olhar, toque e respiração. O foco era criar intimidade, não apenas realizar as cenas”, detalhou Esmir.
Para Jesuíta, a experiência foi natural: “Estávamos comprometidos em criar uma cena bela. Para mim, sexo também é arte, não se resume a um tabu”. O filme também conta com a participação de Bruno Montaleone, de 28 anos, como Marco, e Jullio Reis, de 27 anos, como Cazuza. Eles descreveram as cenas de sexo como “divertidas”, ressaltando o respeito mútuo entre os atores que tornou o processo leve e agradável.
Entre as sequências marcantes, destaca-se uma em que Ney, interpretado por Jesuíta, interage com uma cobra chamada Linda, simbolizando a necessidade de cuidar do que é considerado perigoso, uma alusão ao surgimento do vírus da AIDS que afetou a comunidade LGBT nas décadas de 1980 e 1990.
Além disso, momentos engraçados surgiram durante as filmagens, como quando Jesuíta acidentalmente engoliu sua prótese dentária durante uma apresentação. “A equipe ficou em pânico, mas eu continuei a cena”, riu o ator, que se manteve em cena mesmo após o incidente.
Esmir também se divertiu com a situação, embora tenha levado uma reprimenda da equipe de caracterização. “Eu ri, e a assistente logo me corrigiu: ‘Isso não é engraçado, você terá que fazer outra vez’.”