O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu uma investigação sobre o reality show “As Patroas (e o Patrão)”, criado pelos influenciadores Viih Tube e Eliezer, que envolve a participação de seus funcionários domésticos em competições. A apuração foi instaurada após críticas nas redes sociais, levantando preocupações sobre possíveis violações da legislação trabalhista.
A produção, que exibia os empregados em desafios com a promessa de prêmios em dinheiro e outros benefícios, gerou polêmica desde seu primeiro episódio. O vencedor da competição poderia levar para casa R$ 20 mil, além de acumular valores ao longo das provas, enquanto o segundo colocado ficaria com toda a quantia conquistada. Entre os prêmios estavam também uma motocicleta e vantagens como a redução da jornada de trabalho.
A investigação do MPT foi desencadeada pela repercussão negativa do programa, que levou à remoção do primeiro episódio das plataformas digitais. Em comunicado oficial, o órgão destacou que a análise se destina a verificar possíveis irregularidades nas atividades exibidas pelos influenciadores, especialmente em relação ao tratamento dado aos funcionários.
Além da ação do MPT, a deputada estadual Ediane Maria Nascimento, do PSOL de São Paulo, protocolou uma representação solicitando que o órgão investigue o programa. No documento, a parlamentar levanta questões sobre a possibilidade de as provas configurarem assédio moral organizacional e indaga sobre o pagamento de horas extras, o uso da imagem dos funcionários em conteúdo monetizado e a alteração da jornada de trabalho sem a devida compensação.
O formato do reality também chamou atenção pela natureza de algumas tarefas propostas. Em uma das provas, os funcionários foram desafiados a procurar moedas escondidas em locais inusitados da casa, incluindo lixeiras e um vaso sanitário, o que gerou ainda mais críticas.
A repercussão do caso não se limitou às redes sociais. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) divulgou uma mensagem em suas plataformas, enfatizando que situações humilhantes ou constrangedoras envolvendo trabalhadores podem ser caracterizadas como assédio moral. Embora a publicação não tenha mencionado diretamente o reality show, internautas rapidamente associaram a mensagem à controvérsia envolvendo o casal.
O TST afirmou que “expor trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes ou constrangedoras pode caracterizar assédio moral”, reiterando que a dignidade da pessoa humana é um princípio protegido pela Constituição Federal. O órgão também ressaltou que a Justiça do Trabalho reconhece a responsabilização por condutas abusivas, afirmando que “humilhação não é entretenimento” e que o respeito deve ser uma obrigação no ambiente de trabalho, incluindo o doméstico.
Enquanto as investigações do MPT prosseguem, funcionários de Viih Tube e Eliezer têm utilizado as redes sociais para defender seus empregadores. Até o momento da publicação desta matéria, o casal não havia se manifestado oficialmente sobre a abertura do procedimento investigativo. O portal LeoDias está em contato com os influenciadores em busca de um posicionamento, e o espaço permanece aberto para suas declarações.