O pastor Márcio Poncio, detido nesta quarta-feira durante uma operação da Polícia Federal, figura na Lista de Devedores da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, com uma dívida que ultrapassa R$ 1,7 bilhão. A família Poncio, proprietária da distribuidora de cigarros Gudang Brasil, enfrenta um total de débitos que soma R$ 1.767.495.689,89, abrangendo cerca de 65 inscrições na dívida ativa da União e do FGTS.
Além de Márcio, sua filha, Sarah Poncio, deputada federal pelo Rio de Janeiro, também é mencionada na lista de devedores. O registro da Gudang Brasil inclui o nome da parlamentar, que pertence ao partido Solidariedade, o que resulta na inclusão de ambos na mesma situação fiscal. A assessoria de Sarah esclareceu que os valores citados são oriundos de processos antigos relacionados a uma empresa que foi encerrada em 2011. A nota enviada à imprensa enfatiza que a Justiça já reconheceu essa circunstância, determinando a exclusão da deputada dos processos em questão e afirmando que não existem débitos ativos em seu nome.
Simone Poncio, esposa do pastor, também aparece como devedora, com um montante superior a R$ 1,4 bilhão, embora não figure no quadro societário da Gudang. O filho do casal, Saulo, consta na lista de devedores, mas com uma dívida insignificante de aproximadamente R$ 400.
Em abril deste ano, Márcio Poncio divulgou uma nota na qual alegava ter sido incluído indevidamente na lista de devedores. Na ocasião, ele afirmou que o processo estava suspenso, aguardando julgamento de um Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica (IDPJ), e que até então não havia qualquer decisão definitiva que justificasse sua inclusão.
A prisão de Márcio Poncio ocorreu no contexto da quinta fase da operação Unha e Carne, que teve a autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Além do pastor, outros alvos da operação incluem o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, que já se encontra preso. A operação também envolve o cumprimento de 14 mandados de busca em endereços relacionados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O STF determinou ainda o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.
A recente fase da operação é um desdobramento da investigação sobre o vazamento de informações ligadas ao Comando Vermelho. A Polícia Federal informou que a nova etapa da operação foi desencadeada após a apreensão de listas em posse de Adilsinho, que indicavam registros relacionados a pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade associada à lavagem de dinheiro. As listas também sugeriam possíveis repasses diretos a agentes políticos no Estado do Rio de Janeiro.
A íntegra da nota da assessoria de Sarah Poncio reitera que não existe qualquer dívida fiscal em nome da deputada, esclarecendo que os valores mencionados em reportagens recentes são referentes a processos antigos de uma empresa encerrada em 2011. A nota destaca que Sarah não faz parte do quadro societário há mais de uma década, o que a isenta de qualquer responsabilidade, e que a Justiça já reconheceu essa condição, determinando sua exclusão dos processos em questão.