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Klara Castanho interpreta adolescente em thriller que aborda a exposição nas redes sociais

Imagem: Nat Odenbreit

“Salve Rosa”, um suspense que estreou ontem nos cinemas brasileiros, apresenta Klara Castanho, 25 anos, e Karine Teles, 47, em uma narrativa que provoca uma discussão essencial: os limites da exposição de crianças e adolescentes na internet. Sob a direção de Susanna Lira, o filme é distribuído pela ELO Studios.

Um thriller que explora amor, controle e o custo da fama
Como todo bom suspense, “Salve Rosa” revela que as aparências podem enganar. A trama gira em torno de Rosa, uma influenciadora digital de apenas 13 anos, que já conta com dois milhões de seguidores fascinados por suas análises de brinquedos. Embora possa parecer um filme voltado para o público jovem, a obra vai muito além disso.

Fora do mundo virtual, a vida de Rosa é rigidamente controlada por sua mãe super protetora, Dora, que gerencia tudo, desde a dieta até as interações nas redes sociais. A relação entre mãe e filha é intensa e opressora, permeada por uma obsessão que beira o sombrio.

Rosa é uma garota de 13 anos que cria conteúdo para a internet. Seu canal cresce junto com ela, e o filme examina a dinâmica entre mãe e filha, que é mais complexa do que o público pode imaginar. Klara Castanho comentou sobre a experiência de interpretar uma adolescente aos 23 anos, destacando: “É só aproveitar a carinha de bebê, né? (risos) A genética ajuda e aproveitamos enquanto podemos. As pessoas frequentemente comentam que consigo interpretar personagens de várias idades, e eu adoro. Posso ir dos 13 aos 23, e enquanto isso for bom para minha carreira, vou aproveitar ao máximo.”

O impacto das redes sociais
O uso e consumo excessivo das redes sociais são temas centrais do filme, segundo Karine. “Tenho filhos na mesma faixa etária da Rosa, então esse assunto é muito relevante… Os danos e consequências desse uso desenfreado só serão compreendidos plenamente com o tempo. Converso muito com meus filhos sobre a importância de reduzir o tempo online, desligar o celular. As pessoas perderam o controle por trás das telas. Falam coisas que jamais diriam pessoalmente. A coragem se manifesta demais quando estão no conforto do sofá.”

A vida nas redes sociais não é autêntica. Uma vez que se captura e compartilha, mesmo que pareça real, é uma narrativa que alguém escolheu mostrar. Essa ilusão é uma armadilha em que todos caímos, tanto quem publica quanto quem consome. Karine Teles

Desde que começou a se aprofundar no tema para o filme, Klara se tornou mais consciente do poder da internet. “E também do seu lado perigoso”, refletiu. “Existem pessoas incríveis, mas também aquelas que não são tão boas assim. Não temos controle sobre onde nossos conteúdos vão parar. Por isso, hoje eu sou muito mais cautelosa sobre o que digo, faço e sobre minhas opiniões. Fiquei mais atenta ao que compartilhar.”

As pessoas escolhem o que publicar. Não se trata de 24 horas por dia, nem de sete dias por semana. Elas mostram apenas o que desejam que você veja. É crucial lembrar disso sempre. Klara Castanho

Cinema brasileiro
Karine revelou que aceitou o papel pela vontade de trabalhar com a diretora Susanna Lira e pelo desafio de atuar em um filme de gênero. “Admiro e acompanho o trabalho dela há muito tempo. Ela é apaixonada por cinema, e eu compartilho esse amor. Sempre tive vontade de trabalhar com ela. Fiquei encantada com o roteiro, e ao saber que era um filme de gênero, fiquei ainda mais animada. Sou fã desse tipo de filme e acho incrível poder participar como atriz.”

Para Karine, o longa também representa a diversidade do cinema nacional. “O cinema brasileiro é muito plural. Antes, ‘cinema brasileiro’ parecia um gênero único — agora, não é mais. Hoje temos suspense, comédia, romance… tudo. É um espaço de experimentação visual e narrativa que sempre me atraiu.”

“O número de seguidores não define talento”
Durante a conversa sobre redes sociais, influência e cinema, as atrizes também refletiram sobre a presença de influenciadores nas produções audiovisuais. “Quem tem talento, dedicação e esforço será reconhecido. Venho de uma geração anterior ao Instagram, mas hoje vejo as redes como uma extensão do meu trabalho. É uma nova forma de comunicação. Precisamos aprender a usá-las a nosso favor. Para mim, atuar é um constante processo de aprendizado. A excelência vem disso, não de números”, opinou Klara.

“Acredito que o trabalho de ator deve ser exercido por atores. Mas há espaço para todos. Se você é influenciador, o número de seguidores é relevante, pois é seu negócio. Porém, se você é ator, isso não tem relação com talento. Medir habilidade por seguidores só faz sentido no marketing digital, não na arte.” Karine Teles

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade