Mohammed Abdullah, anteriormente conhecido como Ricardo Petraglia, atuou em produções da emissora Globo, como “História de Amor” e “A Viagem”. Atualmente, ele se dedica a uma nova missão: a defesa do uso medicinal da cannabis. Em seu Instagram, compartilha imagens de sua plantação localizada em Xerém, no Rio de Janeiro. Em uma conversa com a equipe do Splash, ele comentou que sua notoriedade e a maturidade ajudam a tornar o debate sobre o tema mais acessível: “As pessoas veem um senhor falando sobre maconha e pensam: vamos ouvir o que ele tem a dizer. E eu expresso minha opinião, ressaltando que há uma hipocrisia na sociedade e que no Brasil existe um apartheid relacionado à maconha. Grandes empresas podem comercializar essa planta, mas alguém da favela que tentar fazê-lo pode ser preso como traficante”.
“Não estou fazendo nada ilegal ou secreto; quero que todos saibam. Quanto mais pessoas souberem disso, mais irão se inspirar e querer fazer o mesmo. Não defendo o uso da maconha, mas sim a liberdade de uma planta que Deus colocou neste mundo”, afirma Mohammed Abdullah.
Ele possui um habeas corpus que lhe permite cultivar maconha para uso pessoal, uma licença que buscou devido a problemas de saúde, como hepatite C e dores associadas a uma prótese de quadril que afetou sua coluna. A hepatite sobrecarrega seu fígado, impedindo-o de tomar anti-inflamatórios para tratar as dores. Com o avanço da idade, essas complicações se intensificaram, trazendo ainda pressão alta e depressão. “O óleo que faço a partir da planta alivia todos esses sintomas sem causar efeitos colaterais. Posso continuar envelhecendo, mas sem os efeitos indesejados”.
Mohammed também recebeu autorização da Anvisa para importar um medicamento, mas, ao se deparar com o elevado custo de US$ 400 por frasco, alegou sua condição financeira como aposentado e a necessidade de cultivar em casa para produzir seu próprio remédio. Todo o processo foi orientado por um advogado.
Ele admite que já utilizava a planta antes de obter permissão para cultivá-la. “Naquela época, eu não sabia sobre os benefícios medicinais da maconha. Era apenas um usuário recreativo”, relembra. Após visitar um amigo que tinha uma associação voltada para o uso medicinal da cannabis, ele se conscientizou sobre suas propriedades curativas: “Vi crianças tendo suas convulsões controladas com o óleo. A partir disso, comecei a cultivar e doava um terço da minha produção para a associação, que operava de forma clandestina”.
Atualmente, Mohammed não tem autorização para vender ou doar sua colheita. Por isso, utiliza sua visibilidade nas redes sociais para desmistificar o assunto: “Essa plataforma tem sido uma oportunidade para eu expressar minhas ideias e o que desejo que as pessoas compreendam. Não me preocupo com o número de seguidores; meu objetivo é me manifestar”.
Após sua conversão ao islamismo, ele passou a investigar a visão da religião sobre o uso da maconha. Segundo suas pesquisas, há um debate sobre se o consumo da planta é haram (proibido) ou halal (permitido) na lei islâmica. Sua conclusão foi que “a maconha é como uma faca: pode ser usada para ferir alguém ou para realizar uma cirurgia”.