Angela Ro Ro, que faleceu hoje aos 75 anos, sofreu a perda da visão do olho direito no início da década de 1980. A renomada artista compartilhou que as agressões por parte da polícia resultaram na sua cegueira de um olho, além de 44% da visão do outro e na perda auditiva.
Em uma entrevista à Marie Claire, Angela descreveu uma experiência traumática que ocorreu em 1984, quando foi atacada por policiais enquanto tentava escapar de uma tentativa de abuso sexual. “Eu tinha entre 34 e 35 anos e estava em um restaurante em Pedra de Guaratiba. Ao sair do banheiro, um policial civil entrou e começou a me tocar. Consegui me soltar, mas do lado de fora, três homens me agarraram e disseram que me levariam para um motel. Quando recusei, começaram a me agredir com socos, tacos de sinuca e cassetetes,” relatou.
Ela tentou fugir, mas estava usando salto alto e a calçada era de paralelepípedo. “Eles me atingiram nas costas com barras de ferro. Fiquei internada por 11 dias no hospital. Felizmente, não sofri traumatismo craniano, mas perdi a visão do olho direito e 44% da visão do esquerdo. Naquela época, decidi me mudar para Petrópolis por medo de permanecer no Rio. Meu pai queria que eu registrasse uma queixa, mas eu o convenci de que isso poderia me levar ao suicídio”, contou Angela.
Nesse mesmo ano, a cantora também enfrentou uma violação de seus direitos devido à sua homossexualidade. “Estava de biquíni com um quimono em um restaurante no Recreio dos Bandeirantes quando dois policiais abordaram meu carro, me forçaram a entrar na viatura e me levaram ao IML, ameaçando me estuprar. Como reagi, eles usaram chapas de metal grossas, semelhantes às que são usadas em exames de raio-X, para me agredir repetidamente nos ouvidos. Naquela época, perdi parte da minha audição”, relembrou.
Em uma conversa com a Revista Conta Mais, Angela Ro Ro expressou sua dor em relação aos anos de violência policial motivada pela homofobia que sofreu. “Passei por muitos maus tratos, provenientes de pessoas covardes, violentas e arbitrárias. Elas não conseguiam entender como uma mulher jovem, bonita e talentosa poderia assumir seu amor por outras mulheres. Fui alvo de difamações, humilhações e espancamentos. Foi a paixão pela música que me ajudou a superar tudo isso e a me reinventar. Isso ocorreu na faixa dos 30 aos 40 anos, e aos 50, vivenciei um renascimento em minha vida.”