O longa-metragem “Apenas 3 Meninas”, com Mel Maia, Lívia Silva e Letícia Braga, aborda a questão da pobreza menstrual e foi filmado recentemente no Rio de Janeiro. A história é baseada em fatos reais, ressaltando a mobilização de três adolescentes da Zona Norte do Rio, que lutaram pela distribuição gratuita de absorventes em escolas públicas. Essa iniciativa culminou na criação da primeira lei desse tipo no Brasil, aprovada em 2021.
Durante as filmagens, a equipe do Splash esteve presente no set. No filme, Mel Maia dá vida à personagem Amora, uma jogadora de futebol que, junto com Irene e Luana (interpretadas por Lívia Silva e Letícia Braga, respectivamente), se depara com os alarmantes dados sobre a pobreza menstrual e decide agir. Em 2020, elas descobriram que uma em cada quatro adolescentes no Brasil não tem acesso regular a absorventes, e que cerca de 200 mil garotas estudam em instituições que não possuem banheiro, enquanto 20% residem em lares sem água encanada.
“Esse filme é uma grande ação social, pois aborda um tema que afeta muitas mulheres há muito tempo”, afirma Mel Maia. “Existem mulheres que, sem alternativas, usam panos, jornais ou papel de pão. É um assunto pouco discutido e que precisa de mais atenção. Espero que todos assistam e que possamos falar mais sobre isso, ajudando as mulheres e aqueles que menstruam e enfrentam essa dificuldade.”
Mel Maia também compartilha que conheceu as ativistas que inspiraram o filme enquanto já estava imersa em seu papel. “Foi uma experiência emocionante. Pensamos: ‘Deve ser incrível fazer um filme sobre nossas vidas’. Elas devem estar muito orgulhosas.”
Lívia Silva, em entrevista ao Splash, destaca a força da união feminina. “É fundamental trazer à luz a pobreza menstrual e mostrar que juntas podemos fazer a diferença. A união é poderosa e capaz de gerar mudanças significativas, como a criação da lei que permite a distribuição de absorventes nas cestas básicas das comunidades.”
Letícia Braga ressalta a fusão entre ficção e realidade no projeto. “Como a história é verdadeira, nos dedicamos a entender os eventos ocorridos. Integramos isso ao aspecto ficcional para tornar a narrativa ainda mais impactante. Cada personagem tem sua singularidade, com suas histórias, passados e famílias. O futebol, por exemplo, é um elo que une as três.”
Dirigido por Susanna Lira, o filme é uma produção da Panorâmica, em coprodução com a ELO Studios e a Paramount Pictures Brasil. No elenco, Milhem Cortaz interpreta o pai de Amora, enquanto Juliana Alves vive Jo, uma personagem multifacetada que simboliza os desafios enfrentados por mulheres em situação de vulnerabilidade.
Juliana Alves, ativista em movimentos de mulheres negras, vê sua personagem como um reflexo de sua própria trajetória. “Na minha juventude, eu me inspirava em figuras como a Jo. Hoje, como atriz, sinto que também tenho a responsabilidade de inspirar e promover transformações sociais.”
“A luta das mulheres, especialmente das mulheres negras, ainda é intensa. Para nós, os desafios são ainda maiores. Sinto que este filme retrata também a minha adolescência e me identifico com essas jovens e sua mobilização.”