A visita de Oruam, 24 anos, à Bangu 3, situada no Complexo de Gericinó no Rio de Janeiro, causou uma verdadeira agitação nas imediações.
O que ocorreu
A presença do cantor no local resultou em um empurra-empurra entre os fãs. Ele estava lá para dar apoio a MC Poze do Rodo no momento de sua liberação da prisão. Em um ato que surpreendeu a todos, Oruam subiu no teto de um ônibus estacionado nas proximidades. Tino Junior, apresentador da Record, criticou a atitude ao vivo: “A chegada do Oruam alterou completamente a situação. Foi uma ação inconsequente e inadequada.”
Posteriormente, Oruam se defendeu, afirmando que sua intenção não era causar confusão, mas sim receber um amigo. “Se não querem tumulto na frente do presídio, então deveriam prender os verdadeiros criminosos. MCs não são bandidos. Nós estamos lá para reivindicar”, expressou em suas redes sociais.
“Quando cheguei, a galera começou a gritar. Ao ver o ônibus, subi. Peço desculpas a todos, não foi nossa intenção fazer bagunça. O que queríamos era receber meu amigo. Foi um erro subir no ônibus, mas precisamos nos unir”, declarou Oruam.
Oruam já havia se manifestado contra a prisão de Poze do Rodo, chamando-a de “covardia”. “Algemaram o Poze sem necessidade. Ele é um exemplo para muitos. Todos sabem que isso é uma mentira. Ele é um cantor que se apresenta em bailes de favela e não tem ligação com facções criminosas”, comentou. No último sábado, ele esteve ao lado da esposa de Poze, Viviane Noronha, durante um protesto no Complexo Penitenciário de Gericinó.
Habeas corpus
Ontem, o Tribunal de Justiça concedeu um habeas corpus a MC Poze do Rodo, revogando sua prisão temporária. O desembargador Peterson Barroso, da Primeira Vara Criminal de Jacarepaguá, considerou que a detenção de 30 dias era excessiva para a continuidade das investigações.
“Os materiais coletados durante a busca parecem ser suficientes para seguirmos adiante, sem necessidade da prisão do paciente. Ressalto que, até o momento, não há evidências de que ele estivesse portando armas, drogas ou qualquer material ilícito”, afirmou o desembargador.
Defesa aponta ‘perseguição à arte periférica’
A defesa de MC Poze do Rodo sustentou que a prisão era ilegal e desproporcional, configurando uma violação à liberdade de expressão. O argumento ressaltou que as obras artísticas do cantor, que retratam a realidade das comunidades historicamente marginalizadas, são protegidas e não promovem incitação a crimes.
A ação da Polícia Civil do Rio de Janeiro é seletiva e evidencia uma perseguição à arte periférica. Se o acusado fosse um artista de classes mais favorecidas, certamente não teria sido preso. Ele não ultrapassou os limites da liberdade de expressão, uma vez que sua música reflete a realidade dos morros cariocas.