Aqueles que conectaram seus consoles ou PCs na última quinta-feira (18/12) para desfrutar de uma partida de eFootball (o sucessor do tradicional PES) se depararam com uma má surpresa. A recente atualização da Konami removeu o conteúdo oficial de diversos clubes brasileiros, impactando diretamente a dupla mineira, Atlético e Cruzeiro.
O licenciamento de jogos de futebol no Brasil é um terreno complicado. Para os gamers, ver o Atlético com uniformes e escudos genéricos, além da ausência da Arena MRV, representou um grande retrocesso na experiência do simulador. A falta de um comunicado oficial por parte da produtora japonesa aumentou a insatisfação. No X (antigo Twitter), os usuários não hesitaram em expressar suas críticas. O torcedor João Duarte foi direto ao ponto: “Quero uma resposta sobre isso! A parceria entre o Galo e a Konami acabou? A Arena MRV desapareceu e o Galo não está mais licenciado”.
A frustração chegou até os diretores dos clubes. Dhomênico Bhering, diretor de comunicação do Atlético, foi mencionado por torcedores que desejavam saber se a colaboração comercial tinha chegado ao fim.
Por outro lado, Henrique Swift, um gamer do Cruzeiro, expressou o sentimento de muitos: “Quando eu estava prestes a jogar a liga com o Cruzeiro, eles simplesmente colocaram um time genérico”. Apesar do desconforto gerado pelo silêncio da Konami e dos clubes, a situação não é tão desoladora. O youtuber Renan Galvani, uma referência no Brasil quando se trata de eFootball, elucidou os motivos técnicos e burocráticos que levaram a essa mudança drástica.
De acordo com ele, o problema está relacionado a ciclos de contrato e à complexa legislação brasileira. “Geralmente, esses contratos têm duração de dois anos. O contrato com o clube expirou e a Konami pode estar em negociação para reintegrá-los em janeiro ou fevereiro. Ou pode haver mudanças nas estratégias de marketing ou discrepâncias nos valores”, comentou Galvani em um vídeo em seu canal.
Os principais fatores que explicam o “apagão” das licenças incluem:
– Término de ciclo contratual: Muitas parcerias firmadas há dois anos chegaram ao fim neste mês de dezembro.
– Mudança de estratégia: A Konami tem priorizado menos os estádios reais (como a Arena MRV) e focado em estádios personalizáveis, onde a comunidade se envolve mais.
– Os desafios da Lei Pelé: No Brasil, o licenciamento de jogadores é feito de maneira individual, o que torna o processo muito mais moroso em comparação à Europa.
Além de Atlético e Cruzeiro, outros grandes clubes como Palmeiras e Fluminense também enfrentam essa situação. Mesmo equipes que têm parceria exclusiva com a Konami apareceram com elencos genéricos. Galvani ressalta que nem contratos no modelo CLT solucionam o problema rapidamente. “Não existe essa de CLT. No Brasil, o que prevalece é a Lei Pelé. A Konami geralmente contrata os jogadores por um ou dois anos para uso da imagem. Quando o prazo termina, é necessário renovar um por um. Enquanto não estiver tudo assinado, as empresas temem processos e optam por nomes genéricos”, explicou o especialista.
Para aqueles desanimados com a situação, há esperança. Historicamente, a Konami utiliza os meses de janeiro e fevereiro para realizar grandes pacotes de atualização voltados para o mercado sul-americano. É provável que os elencos reais sejam restabelecidos em breve, assim que os trâmites burocráticos relacionados aos contratos de imagem forem resolvidos.
Entretanto, a situação em relação à Arena MRV no eFootball é menos otimista. Com as tendências atuais de desenvolvimento do jogo, estádios licenciados que foram removidos dificilmente retornarão no curto prazo.