Quando o Real Madrid declarou que iniciaria um processo para vender parte de suas ações, isso gerou uma onda de especulações na mídia e entre os sócios do clube. A proposta em questão se assemelha às movimentações feitas por clubes que se tornam SAFs. No último domingo, o presidente Florentino Pérez abordou novamente o assunto durante a Assembleia Geral de Sócios, enfatizando sua defesa da ideia, ao mesmo tempo que procurou acalmar os associados. Segundo ele, o processo ainda requer discussões antes de uma votação e confirmação nas próximas semanas, e garante que o controle do clube não será transferido para investidores externos — na verdade, seu objetivo é justamente o oposto.
“Li informações absurdas. Que eu deixaria a presidência do Real Madrid em um ano. Que meu desejo é permanecer no clube. Ou que o clube passaria a ser gerido por uma fundação — o que significaria afastá-lo de seus verdadeiros donos, os sócios. Ou ainda que estamos fazendo isso apenas por necessidade financeira, quando todos sabem que somos o clube mais rico do mundo e que nosso objetivo é continuar assim”, declarou Florentino, que continuou: “Li também que a diretoria estaria dividida em relação a essa reforma. Posso garantir que todos os integrantes da diretoria, de maneira unânime, apoiamos essa mudança porque sempre estivemos unidos e estamos plenamente cientes das ameaças que enfrentamos”.
O presidente do Real Madrid resumiu a reforma proposta em dois pilares: a proteção estrutural do clube e a valorização do ativo institucional. “Queremos blindar o clube contra ataques externos e internos ao nosso patrimônio e valorizar esse ativo, para que todos reconheçamos o tesouro que os sócios têm em mãos”, explicou, acrescentando: “Este clube pertence a cada um de nós. Não a mim, nem à diretoria, nem a uma fundação ou entidade externa. Precisamos ter consciência de que todos somos proprietários do Real Madrid. Com essa reforma, seremos ainda mais”.
Um dos aspectos centrais da proposta do presidente é estabelecer um número máximo de sócios que será reconhecido legalmente como o grupo permanente e proprietário do Real Madrid. Assim, os associados passariam a ser efetivamente donos do clube. “Proponho que os 100 mil sócios atuais sejam reconhecidos como os verdadeiros proprietários do clube, e que esse número seja fixado para o futuro. Com essa proteção, ninguém poderá diluir nossa condição de proprietários, nem alterar o equilíbrio que garante a independência e a estabilidade do Real Madrid. Nesse contexto, um novo sócio poderá ser admitido só quando ocorrer uma baixa por falecimento, sempre dando prioridade aos filhos”, detalhou, ampliando em seguida: “Todos os sócios atuais manterão integralmente seus direitos e, além disso, adquirirão novos direitos econômicos que atualmente não possuímos. Com as regras atuais, ao falecer, não deixamos direitos econômicos para nossos herdeiros”.
Outro ponto da proposta é a criação de uma estrutura societária que limite a participação de investidores externos a uma fração minoritária. Ele esclareceu: “Com base nisso, essa filial poderá incorporar uma participação minoritária. Por exemplo, 5% de um ou mais investidores comprometidos a longo prazo e dispostos a aportar recursos próprios. Em resumo, serão aliados estratégicos, e nunca proprietários”.