No último instante da partida, um cruzamento preciso de Igor Gomes resultou em uma oportunidade clara que foi desperdiçada por Hulk, que ficou cara a cara com o goleiro vazio. Seria o gol que garantiria a vitória, e a imagem do lance em La Paz continua a ecoar na mente dos torcedores atleticanos. Aquela situação fez até os mais céticos perceberem: nosso ídolo não está em sua melhor forma.
Em 2025, Givanildo apresenta um rendimento aquém do que se espera dele. Cometendo erros que normalmente não faz, como em passes, domínio e finalizações, sua performance está distante do padrão que o consagrou. No entanto, é impressionante pensar que ele já contribuiu com 20 gols na temporada (16 gols e quatro assistências). No caso de Hulk, simplesmente ser bom não é suficiente; ele precisa ser extraordinário. A torcida se acostumou a isso.
Essa não é a primeira vez que Hulk enfrenta uma fase complicada no Atlético. A cada novo ano, se ele não marca em cinco jogos, surgem as teorias mais mirabolantes. Uma delas já se tornou uma espécie de clichê: “Hulk não é mais o mesmo”, “a idade chegou”, “não aguenta mais”, entre outras. No passado, sempre que esse tipo de discurso emergiu, ele foi rapidamente refutado pelo retorno triunfante do craque com a camisa 7, que voltava a marcar, decidir partidas e fazer esses comentários sumirem. Esse ciclo já se repetiu inúmeras vezes.
É compreensível que a cada nova fase ruim surja o receio. E se, desta vez, realmente estivermos testemunhando o fim? O interessante é que ninguém tem a capacidade de prever o futuro. Eu não sei a resposta, você também não, e ele certamente não sabe. Vamos descobrir isso juntos. Se fosse para fazer uma aposta, eu ainda colocaria minhas fichas no sim. Acredito que, mais uma vez, o ciclo vai se repetir, ele voltará a marcar e a ser decisivo. Sinto que ainda há combustível para queimar. Mas, claro, não posso afirmar isso com certeza. A única certeza que eu tenho é que Hulk merece respeito.
É válido pensar que ele precise de um tempo no banco. Para ser sincero, eu mesmo acredito que, neste momento, a equipe está rendendo mais sem ele. Também é aceitável considerar que ele pode não ser mais a principal referência do time e que, sem ele, encontramos um equilíbrio maior. Isso faz parte do jogo. O que não é aceitável é esquecer tudo o que esse jogador fez (e continua fazendo) por nós. Sim, ele ainda faz, pois, embora esteja cometendo muitos erros, isso nunca é por falta de respeito ou comprometimento.
Hulk ocupa um lugar de destaque na história deste centenário clube. Ele é ídolo, artilheiro, multicampeão, um verdadeiro craque. Sem ele, não teríamos quebrado um jejum de 50 anos no Campeonato Brasileiro. Sem ele, a Tríplice Coroa de 2021 não teria acontecido. Sem ele, não teríamos a sensação de que “o Galão ganhou mais uma vez”. Aliás, você se lembra do que vem antes do refrão da canção que celebrou nossas conquistas naquele ano mágico? “Mais um golaço do homem, beijo e coração pra vocês”. Pois é…
Além de tudo isso, Hulk também merece paciência. O Atlético antes de Sampaoli era um time bastante desorganizado, e o treinador tem apenas três jogos à frente do time. O padrão de jogo começa a se formar e, desde sempre, no futebol, o coletivo potencializa as individualidades. Nosso capitão merece mais uma oportunidade para mostrar seu valor em um time mais estruturado, algo que não observamos aqui há bastante tempo.
Caso a equipe comece a produzir e ele continue enfrentando dificuldades, então podemos discutir o “fim de ciclo”, preparar uma despedida digna e até encomendar sua estátua, se for o caso. Mas calma. Não subestime quem já fez o improvável parecer simples tantas vezes.
Hulk, essa fase vai passar. Se não passar, isso não muda sua grandeza. Você é um gigante. Agradecemos por tudo. Seguimos juntos. Saudações.