A situação do Vitória em 2025 se assemelha à de 2024: a equipe inicia o Brasileirão de forma ruim, reconhece que a situação atual é insustentável, muda de treinador e leva tempo para se ajustar. No ano passado, as mudanças surtiram efeito ao final da 38ª rodada. Porém, a realidade deste ano é incerta para os torcedores, que esperam por uma nova reviravolta após o time concluir o primeiro turno com uma campanha decepcionante.
A preocupação aumenta, pois o Vitória já disputou as 19 primeiras rodadas do torneio, enquanto apenas quatro outros times conseguiram cumprir o calendário integralmente. Isso significa que os adversários diretos têm jogos a menos, o que pode empurrar o Rubro-Negro para a zona de rebaixamento.
Esse seria um pesadelo para o novo técnico Fábio Carille, que já vivenciou cenários similares com a torcida. Em 2024, a situação foi ainda mais crítica. Atualmente, o Leão soma 18 pontos, enquanto no ano anterior, após as primeiras 19 rodadas, contabilizava apenas 15, resultado de um início desastroso sob a direção de Léo Condé. A salvação veio com a chegada de Thiago Carpini, que assumiu o time no meio da competição e o levou a conquistar uma vaga na Sul-Americana.
Neste ano, a situação se inverteu: Carpini saiu e Carille entrou em um momento delicado devido a falhas de planejamento da diretoria. O ex-treinador foi demitido logo após a primeira partida pós-Mundial, deixando o novo comandante com pouco tempo para implementar suas ideias e queimando um intervalo de 15 dias de preparação antes do retorno do calendário brasileiro.
Não é surpreendente que este seja o terceiro pior primeiro turno da história do Vitória nos pontos corridos, superando apenas as campanhas de 2014 e 2024. A seguir, os dados de algumas temporadas:
– 2008: 32 pontos e dez vitórias, 5ª posição;
– 2009: 25 pontos e sete vitórias, 12ª posição;
– 2010: 22 pontos e cinco vitórias, 15ª posição (rebaixado);
– 2013: 23 pontos e seis vitórias, 13ª posição;
– 2014: 15 pontos e três vitórias, 20ª posição (rebaixado);
– 2016: 22 pontos e cinco vitórias, 15ª posição;
– 2017: 19 pontos e cinco vitórias, 18ª posição;
– 2018: 19 pontos e cinco vitórias, 18ª posição (rebaixado);
– 2024: 15 pontos e quatro vitórias, 19ª posição;
– 2025: 18 pontos e três vitórias, 16ª posição.
Em meio a essa turbulência institucional, Fábio Carille tenta implementar seu trabalho para trazer alguma estabilidade ao time. No entanto, a tarefa não é fácil. Com pouco tempo para aplicar suas ideias, o treinador recorreu à conversa para manter a equipe coesa após a derrota na estreia contra o Internacional.
O resultado foi uma sequência de cinco jogos sem derrotas, mas com muitos empates que não afastaram o time da ameaça do rebaixamento. A equipe parecia ganhar forma até a queda contra o São Paulo, que, embora não desmereça o trabalho realizado até então, revela lacunas no elenco que podem se tornar custosas em momentos críticos, como lesões excessivas, e evidencia que a reformulação do elenco não ocorre da noite para o dia. O time precisa de tempo, e nenhum dos novos jogadores contratados na janela de transferências conseguiu atender às expectativas até agora.
“O time está passando por uma reestruturação. Na 19ª rodada, tivemos a estreia de três novos jogadores. Acredito muito neste grupo e estou confiante de que o segundo turno será diferente, começando pelo próximo jogo em casa contra o Juventude. Ninguém vai desistir. Contamos com o apoio da torcida para reagir na competição”, afirmou Carille após a derrota para o Tricolor paulista.
Se o desempenho fora de casa ainda não trouxe pontos, a expectativa agora é depositada na força do Barradão, onde o Vitória enfrentará o Juventude no próximo sábado às 18h30 (horário de Brasília), buscando reiniciar sua trajetória na competição.