Durante uma coletiva realizada na manhã deste sábado (7) na Arena MRV, Rafael Menin, sócio majoritário da SAF do Atlético, discutiu a situação financeira do clube e as discrepâncias presentes em alguns relatórios que fazem referência ao montante de dívidas do Galo. “Nos últimos cinco anos, tivemos acertos e falhas. Em determinados momentos, fomos claros ao afirmar que seria possível equilibrar esses movimentos. Alguns funcionaram, outros não. Sobre a dívida, posso afirmar que é um aspecto em que não obtivemos sucesso em comparação ao que foi prometido anos atrás”, começou Rafael ao ser questionado sobre as promessas de eliminar as dívidas em um prazo de cinco a seis anos.
Ele ressaltou que a SAF do Atlético foi a que recebeu o maior investimento no Brasil durante sua aquisição: “Uma parte desse capital foi destinada à redução da dívida, mas mesmo assim, ela continua em um patamar elevado”. Menin admitiu que o clube cometeu acertos e erros ao longo dos últimos cinco anos, enfatizando que cada ação é tomada com o intuito de beneficiar o Atlético “da maneira mais ética possível”.
O montante da dívida do Atlético varia em diferentes relatórios divulgados nas últimas semanas. De acordo com o relatório oficial do clube, a dívida é de R$ 1,4 bilhão; já o Relatório Convocados aponta um total de R$ 2,3 bilhões, e outro cálculo sugere um débito de R$ 1,8 bilhão. Diante dessas divergências, Rafael Menin explicou a origem de cada valor.
Dívida de R$ 1,4 bilhão: “Esse valor compreende uma parte onerosa, que se refere ao que devemos a bancos e ao CRI da Arena, totalizando cerca de R$ 900 milhões. Temos também a dívida com o Profut, referente a impostos; assinamos um termo com o governo que soma mais de R$ 300 milhões. Além disso, temos obrigações financeiras com jogadores, que são sempre parceladas. Portanto, já pagamos centenas de milhões e ainda restam cerca de R$ 200 milhões.”
Dívida de R$ 1,8 bilhão: “Esse montante desconsidera o que temos a receber de outros clubes. Por exemplo, ao vender o Paulinho, o Palmeiras nos pagará em parcelas ao longo de três anos, as quais não foram contabilizadas.”
Dívida de R$ 2,4 bilhões: “Inclui receitas antecipadas. Quando construímos a Arena MRV, obtivemos aproximadamente R$ 500 milhões com a venda de camarotes, cadeiras e naming rights. Isso não significa que devamos R$ 500 milhões; trata-se apenas de uma receita que já foi adiantada e que figura no passivo.”
Menin também comentou sobre os desafios enfrentados na construção da Arena MRV, que afetaram as finanças da SAF. Ele defendeu que o desempenho esportivo da SAF é o melhor da história do Atlético e mencionou a inflação no futebol brasileiro como uma barreira para o investimento no elenco. “Não teremos uma janela de reforços abundante no meio do ano”, alertou Menin, que também indicou a busca por investidores para ajudar a reduzir a dívida do clube.