Na quinta-feira (29/5), uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) discutiu a possibilidade de remover aproximadamente 13 mil cadeiras do Setor Amarelo (Superior e Inferior) do Mineirão, atendendo a um pedido das torcidas organizadas do Cruzeiro. Durante o encontro, tanto o clube quanto a administração do estádio demonstraram concordância e estão empenhados em implementar essa proposta.
Um dossiê apresentado pelo Movimento Amarelo Sem Cadeiras destacou os benefícios dessa iniciativa, citando exemplos de estádios no Brasil e no mundo que adotaram essa abordagem. Em Belo Horizonte, por exemplo, os estádios Independência e Arena MRV possuem setores populares sem assentos. Entre os principais argumentos estão a maior liberdade para torcer durante os jogos, melhorias na segurança e a redução de custos para o clube, que frequentemente arca com danos às cadeiras durante as partidas.
Marcone Barbosa, diretor de marketing e mercado do Cruzeiro, declarou que o clube apoia a proposta, embora a implementação dependa de outros órgãos. “O Cruzeiro incentiva essa mudança. O estádio possui oito setores, e podemos criar um espaço específico para torcedores que preferem assistir aos jogos em pé, permitindo uma atmosfera mais vibrante”, afirmou.
Com 25 anos de experiência no futebol, Marcone ressaltou que é a primeira vez que há um consenso entre todas as partes envolvidas sobre essa questão. “É essencial atender à demanda desse público. Em várias discussões sobre a Minas Arena, nunca vi tanta convergência entre todos os envolvidos. O Cruzeiro é totalmente a favor dessa mudança”, disse ele.
Entretanto, ele observou que, mesmo com a remoção das cadeiras, o preço dos ingressos no setor não sofrerá redução, algo que a torcida almejava. “A retirada das cadeiras não resultará em uma diminuição nos preços dos ingressos. O setor já é acessível, e o valor de R$ 30 (para sócios) ainda não cobre os custos operacionais”, explicou.
Ao final de sua fala, Marcone foi aplaudido pelos presentes na Comissão de Participação Popular, onde torcedores e representantes de diversas instituições foram ouvidos. “Nosso presidente, Pedro Lourenço, é a favor da retirada das cadeiras do setor amarelo. Vamos analisar todas as normas técnicas necessárias e os custos envolvidos”, concluiu.
A audiência foi conduzida pelo deputado estadual Professor Cleiton (PV), um declarado torcedor do Cruzeiro. Outros parlamentares, como Bruno Engler (PL), Coronel Henrique (PL) e Alencar da Silveira Júnior (PDT), também expressaram apoio à iniciativa.
Jacqueline Alves, diretora da Minas Arena, responsável pela administração do Estádio Governador Magalhães Pinto, detalhou os passos que estão sendo tomados para a remoção dos assentos, destacando a segurança dos torcedores como prioridade. “Por se tratar de um estádio concedido, não estávamos autorizados a remover as cadeiras. Já contratamos um consultor que elaborou um projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros em 2012. Estamos comprometidos em garantir a segurança”, esclareceu.
Como o Mineirão é fruto de uma parceria público-privada, a presença de um representante do governo de Minas Gerais era necessária para a discussão. Silvia Machado Lage, secretária de Infraestrutura, Mobilidade e Parceria, afirmou que o Poder Executivo não se opõe à mudança. “Como representante do governo e da gestão do contrato do Mineirão, meu papel é ouvir as partes. O Estado cumprirá o contrato”, disse.
Segundo a administração do Mineirão, estão sendo realizados estudos para viabilizar essa alteração, que poderá impactar questões como o peso sobre a estrutura das arquibancadas e a necessidade de mais catracas e banheiros, já que a capacidade do estádio aumentaria. Caso a remoção se concretize, todos devem estar cientes de que, em algumas ocasiões, as cadeiras poderão ser recolocadas, especialmente para a Copa do Mundo Feminina de 2027.
A aprovação da mudança dependerá de diversos órgãos, incluindo o governo estadual, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte (COPCM-BH).