Após a eliminação do Cruzeiro na Copa Sul-Americana, o que mais se destacou após o confronto contra o Mushuc Runa foram as declarações do técnico Leonardo Jardim. Ao desdenhar da competição, o português pareceu “jogar para a torcida”, mas escondeu o fato de que não conseguiu fazer sua equipe performar o suficiente para avançar na competição secundária da Conmebol.
É verdade que o cruzeirense, bicampeão da Copa Libertadores, não demonstra interesse em disputar a Sul-Americana, o que acaba por agradar o torcedor. No entanto, isso também ofusca o fato de que o time dependia dele e de seus adversários, que eram considerados menos robustos no Grupo E, para seguir em frente. Leonardo Jardim, portanto, carrega uma parte significativa da responsabilidade por essa situação.
Entre a eliminação no Campeonato Mineiro para o América e a estreia contra o Unión na Sul-Americana, Jardim teve quase 40 dias para implementar seu estilo de jogo. Contudo, o que foi observado na copa continental foi um Cruzeiro que, apesar de organizado, apresentou um desempenho insatisfatório na maior parte do tempo.
Por outro lado, é importante notar que, enquanto não conseguiu fazer o Cruzeiro brilhar contra Unión, Mushuc Runa e Palestino, Jardim levou a equipe a boas atuações em jogos contra Bahia, Vila Nova e Flamengo. O técnico tem mostrado, em competições mais exigentes que a Sul-Americana, que merece reconhecimento.
Entretanto, o Cruzeiro não conquista um título continental há mais de duas décadas. Além disso, a equipe passou de vice-campeã a eliminada na fase de grupos da Sul-Americana em apenas seis meses. O time não foi eliminado por enfrentar gigantes como Peñarol, River Plate e Colo-Colo, mas sim por conquistar apenas um ponto em 12 possíveis contra União, Mushuc Runa e Palestino. É preciso lembrar que jogadores como Gabigol e Fabrício Bruno não vieram para viver uma desilusão na Copa Sul-Americana em maio. E, convenhamos, conquistar a Sul-Americana garante uma vaga na Libertadores.
Embora a saída precoce da competição não seja desastrosa para o restante da temporada, é, sem dúvida, problemática. Agora restam duas competições para Jardim tentar recolocar o Cruzeiro na Libertadores, e essas não são mais simples do que a Sul-Americana.