O Ibovespa ensaiava uma recuperação na manhã desta terça-feira (27), um dia depois de registrar a maior queda desde 2020, em meio à forte reação dos mercados financeiros à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar também operava em baixa ante o real, após disparar mais de 8% na sessão anterior e alcançar a maior alta diária em 23 anos.
Às 10h10, o Ibovespa, principal referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,32%, aos 177.141,43 pontos. O movimento indicava uma tentativa de acomodação dos preços depois da intensa reprecificação dos ativos brasileiros ocorrida na véspera. O contrato futuro do índice com vencimento mais curto, em 16 de dezembro, avançava 0,82% no mesmo horário.
Na segunda-feira (26), o Ibovespa encerrou o pregão com queda de 13,88%. A retração foi tão intensa que acionou o chamado “circuit breaker”, mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações em momentos de forte oscilação. O resultado representou a maior baixa do índice desde 2020.
A reação negativa dos investidores ocorreu após o desfecho eleitoral contrariar as apostas de parte do mercado, que esperava a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Essas expectativas estavam associadas à possibilidade de adoção de uma agenda econômica considerada mais favorável ao ajuste fiscal, segundo o contexto apresentado na sessão anterior.
Com a confirmação da reeleição de Lula, o cenário político resultou em uma mudança imediata na percepção dos investidores sobre os ativos brasileiros. O presidente, que seguirá para o quarto mandato, tornou-se também o candidato mais votado da história, de acordo com as informações da matéria original.
No mercado de câmbio, o dólar abriu a terça-feira em queda. Às 10h, a moeda norte-americana recuava 1,20%, cotada a R$ 5,3487. A baixa ocorria depois de uma sessão marcada por forte valorização da moeda dos Estados Unidos frente ao real.
Na segunda-feira, o dólar subiu 8,36% e terminou o dia negociado a R$ 5,4066. Durante a manhã, a cotação chegou a superar R$ 5,60, mas perdeu parte da força ao longo do pregão. Ainda assim, a alta diária foi a maior desde 5 de março de 2003, quando a moeda havia avançado 10,4%.
O valor de fechamento registrado na segunda-feira também foi o mais elevado desde 2 de janeiro deste ano. A queda do dólar e a alta moderada do Ibovespa no início da sessão desta terça-feira indicavam uma reação parcial após os movimentos extremos observados imediatamente depois do resultado eleitoral.
As informações estavam em atualização, com dados da Reuters.