Os contratos de juros futuros operaram em alta na manhã desta quinta-feira, 15 de outubro, com elevação mais acentuada nos vencimentos mais longos, que chegaram a subir cerca de 16 pontos-base. Essa movimentação reflete as incertezas relacionadas ao cenário eleitoral brasileiro, além de ser influenciada pela recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala de pagamento 6×1, o que impacta as expectativas de política fiscal do país.
O movimento de alta nos juros futuros ocorre mesmo diante de dados de vendas no varejo que ficaram abaixo da mediana estimada pelos analistas, indicando que o mercado está mais atento às questões políticas e fiscais do que aos indicadores econômicos de curto prazo. Pesquisas divulgadas nesta quinta-feira reforçam o quadro de incerteza eleitoral. A pesquisa Indexa/Broadcast apontou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) possui 44% das intenções de voto para o segundo turno presidencial, contra 42% do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), configurando um empate técnico. Já a pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira, mostra Flávio Bolsonaro com 46% das intenções, enquanto Lula registra 44%, também dentro da margem de erro, reforçando a expectativa de uma disputa acirrada nas urnas.
Essa percepção de instabilidade política contribui para o movimento de alta nos juros futuros, que acompanha a tendência do dólar, mesmo com os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) em queda firme nesta manhã. Além disso, o preço do petróleo Brent também apresentou recuo, refletindo um cenário global de menor demanda ou de ajustes nas perspectivas de crescimento econômico.
No mercado de juros, às 9h12, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 marcava 13,479%, um aumento em relação aos 13,468% registrados no ajuste anterior. Para os vencimentos mais longos, o DI de janeiro de 2029 subiu de 12,436% para 12,595%, enquanto o contrato de janeiro de 2031 avançou de 12,494% para 12,655%. Esses movimentos indicam uma percepção de risco crescente entre os investidores, que ajustam suas expectativas de juros futuros diante do cenário político e fiscal do país.
A alta nos juros futuros, portanto, reflete uma combinação de fatores internos e externos, incluindo as incertezas eleitorais, a recente aprovação da PEC do fim da escala 6×1, e o ambiente internacional, marcado pela queda dos rendimentos dos títulos americanos e a variação nos preços do petróleo. O mercado permanece atento às próximas manifestações e às decisões políticas que poderão influenciar a trajetória da economia brasileira nos próximos meses.