As taxas dos contratos de juros futuros de longo prazo no Brasil encerraram a quarta-feira, 7 de novembro, apresentando leves altas após dois dias de forte queda, influenciadas pelos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, pelos movimentos nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de longo prazo e pelos preços do petróleo. Já as taxas de curto prazo permaneceram mais próximas da estabilidade, refletindo incertezas quanto ao cenário político e econômico do país.
No mercado de renda fixa brasileiro, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 fechou o dia em 12,600%, uma variação de 1 ponto-base em relação ao ajuste de 12,613% registrado na sessão anterior. A parte mais longa da curva, representada pelo DI para janeiro de 2035, atingiu 12,79%, com alta de 6 pontos-base, após ter despencado 140 pontos-base nos dias anteriores. Essa forte redução na segunda e na terça-feira ocorreu em meio à expectativa de que a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL), que superou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, pudesse indicar um cenário de maior controle das contas públicas, mesmo sem propostas concretas de ajuste fiscal apresentadas oficialmente pelos candidatos.
A percepção de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno poderia favorecer uma política fiscal mais responsável levou à redução dos prêmios de risco na parte longa da curva de juros, que é mais sensível às expectativas de controle das contas públicas. Essa redução, no entanto, foi parcialmente revertida na quarta-feira, com o aumento das taxas longas, acompanhando o movimento de alta nos rendimentos dos Treasuries de 10 anos, que atingiram 5,284%, e na cotação do petróleo Brent, que permaneceu acima de US$ 100 o barril durante a maior parte do dia. Esses movimentos refletem as preocupações persistentes com os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio.
A divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, às 15h, mostrou que as autoridades estavam divididas em setembro quanto à necessidade de elevar a taxa de juros de referência. Enquanto alguns consideraram que o aumento seria necessário para conter os efeitos dos choques de preços, especialmente de energia, outros viram a medida como uma estratégia de proteção contra a inflação impulsionada pela demanda. Essa divisão reforça a expectativa de juros mais elevados por mais tempo nos Estados Unidos, o que pode limitar a valorização das moedas de mercados emergentes, incluindo o real, e restringir movimentos de fechamento das curvas de juros locais.
No cenário doméstico, o trecho de curto prazo da curva brasileira apresentou uma tendência de queda, refletindo a possibilidade de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central possa reduzir a taxa Selic em novembro e também em dezembro, dependendo do resultado das eleições. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75%. A precificação das opções de reunião do Copom negociadas na B3 indicava, na segunda-feira, uma probabilidade de cerca de 80,5% de corte de 25 pontos-base em novembro, enquanto a chance de redução de 50 pontos-base era de 11%. Para dezembro, as expectativas indicavam 43% de chance de corte de 25 pontos-base, 39,24% de redução de 50 pontos-base e 10,53% de manutenção da taxa.
No mercado internacional, às 16h41, o rendimento do Treasury de dez anos subia 1 ponto-base, atingindo 5,284%, enquanto o petróleo Brent avançava 0,36%, cotado a US$ 100,94 o barril. Esses movimentos refletem as incertezas globais, sobretudo relacionadas à instabilidade no Oriente Médio e às expectativas de política monetária nos Estados Unidos, que continuam influenciando o cenário de juros e commodities.