A fabricante suíça de chocolates Lindt & Spruengli anunciou nesta terça-feira, dia 29 de outubro, uma nova redução em suas projeções de vendas para o ano de 2026, refletindo o impacto das altas temperaturas registradas na Europa neste verão e a consequente diminuição no consumo de chocolates. Esta é a segunda revisão negativa feita pela empresa neste ano, evidenciando os efeitos adversos do clima extremo e das pressões econômicas sobre o setor de confeitaria de alto padrão.
De acordo com a própria Lindt, a onda de calor que atingiu o continente europeu foi responsável por uma redução na demanda por seus produtos, especialmente durante o período de maior calor, quando os consumidores tendem a diminuir o consumo de alimentos mais indulgentes, incluindo chocolates. Além disso, a alta nos custos de produção, especialmente do cacau, forçou a companhia a elevar seus preços, o que contribuiu para uma menor procura por parte do público. Os preços do cacau, por sua vez, subiram aproximadamente 80% nos últimos seis meses, refletindo a escassez e a maior valorização da matéria-prima no mercado global.
A expectativa de crescimento orgânico das vendas da Lindt para 2026 foi ajustada para uma faixa de 0% a 2%, abaixo da previsão anterior de 4% a 6%. Essa nova projeção também ficou aquém do consenso de mercado, que estimava um aumento de aproximadamente 3,9%, conforme dados citados pela instituição de análise Vontobel. Ainda assim, a empresa manteve sua previsão de crescimento na margem de lucro operacional, estimando um aumento de 20 a 40 pontos-base para o mesmo período, além de reafirmar suas metas de médio prazo de crescimento orgânico de vendas entre 6% e 8%, com melhorias anuais na margem de lucro operacional de 20 a 40 pontos-base a partir de 2028.
As ações da Lindt reagiram negativamente ao anúncio, atingindo seu menor valor desde março de 2021 durante o início do pregão e caindo cerca de 6,6%, o que posicionou as ações na última colocação do índice europeu STOXX 600. Analistas da Vontobel destacaram que o segundo corte nas projeções em um intervalo de seis meses prejudica a reputação da Lindt, tradicionalmente reconhecida por sua confiabilidade na oferta de previsões financeiras, um fator importante para a valorização de sua marca premium.
O CEO da Lindt, Adalbert Lechner, explicou que os preços historicamente elevados do cacau forçaram a companhia a aumentar substancialmente seus preços ao consumidor, o que, aliado ao ambiente econômico de incerteza, resultou na redução da demanda. Segundo Lechner, a sensibilidade dos consumidores aos preços tem crescido, refletindo o impacto do aumento de custos na cadeia produtiva. Ele também ressaltou que, somente nos últimos seis meses, os custos do cacau tiveram uma elevação de cerca de 80%, contribuindo para a pressão sobre os resultados da empresa.
Esse cenário de cautela também se refletiu na demanda por produtos sazonais da Lindt em alguns mercados europeus, onde os volumes de pedidos ficaram abaixo do esperado. Além do impacto do calor, a redução na demanda foi agravada pelo aumento dos preços do cacau, que impactou os custos de produção e, consequentemente, os preços finais ao consumidor.
O setor de chocolates enfrenta pressões semelhantes, como exemplificado pela Barry Callebaut, fabricante suíça de chocolates e processadora de cacau, que em julho anunciou uma previsão de queda de 1% nos volumes de vendas anuais. Apesar das perspectivas mais fracas de vendas, a Lindt reafirmou sua confiança na manutenção de suas metas financeiras de médio prazo, incluindo o crescimento de vendas e melhorias na margem de lucro operacional, indicando uma estratégia de resistência às adversidades atuais.