Nos primeiros dias de abril, a Artemis II fez história ao levar os astronautas à Lua novamente após mais de 50 anos. No entanto, para fazer a missão acontecer, uma série de tecnologias foi utilizada pela Nasa, entre elas uma brasileira. Trata-se do actígrafo, um dispositivo desenvolvido por pesquisadores do nosso país para mapear os padrões de sono e vigília.
O aparelho, parecido com um relógio, é utilizado no pulso. E através de acelerômetros e sensores de luz e temperatura o dispositivo consegue identificar, com alta precisão, como está o sono e a vigília do usuário.
Basicamente, o funcionamento é por meio de um sensor de atividade que monitora a frequência e a intensidade dos movimentos dos braços – se estiverem parados, indica que o indivíduo está em repouso; se estiverem mexendo, indica que o indivíduo está acordado.
A partir desses dados, o dispositivo registra com exatidão o comportamento do ciclo circadiano da pessoa – o relógio biológico responsável por regular o ciclo sono-vigília, metabolismo, temperatura corporal e liberação hormonal, que é sincronizado principalmente pela presença de luz.
A iniciativa foi desenvolvida pelo engenheiro mecatrônico Rodrigo Trevisan Okamoto, da startup paulista Condor Instruments, em parceria com o programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
No espaço, os astronautas convivem com vários alvoreceres e entardeceres em um mesmo dia, o que pode pode prejudicar o ciclo sono-vigília, visto que ele é norteado especialmente pela presença ou não da luz. Seja no espaço ou na Terra, dormir mal provoca prejuízos cognitivos e motores, podendo prejudicar a realização de missões longas.
Por isso, a Nasa tem bastante preocupação em como mitigar tais efeitos ocorridos no espaço – a tecnologia brasileira entrou em cena justamente para ajudar a monitorar como estava o ciclo sono-vigília dos astronautas.
Os dez sensores presentes no dispositivo conseguem detectar a exposição à luz em diferentes espectros. Os dados coletados na Artemis II ainda serão comparados a exames de coordenação motora e questionários pré e pós-lançamento, mas sabe-se que ajudarão a caracterizar como o ciclo claro-escuro impactou o relógio biológico da tripulação.
Enquanto aguarda os resultados, a startup brasileira continuará aperfeiçoando a tecnologia para estar presente nas outras fases da Artemis, incluindo o tão aguardado pouso em solo lunar. “Faremos tudo o que pudermos para continuar como fornecedores da agência”, afirma Okamoto.
Receba notícias de Saúde e Ciência no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal de notícias do Metrópoles no WhatsApp.
Para ficar por dentro de tudo sobre ciência e nutrição, veja todas as reportagens de Saúde.