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Mudanças nas correntes oceânicas podem desencadear uma “mini era do gelo” na Europa

Rob Kints/ Getty Images

Um colapso nas correntes oceânicas que aquecem o hemisfério norte pode provocar uma “mini era do gelo” na Europa mais cedo do que se imaginava. Essa é a conclusão de um estudo liderado por cinco instituições internacionais de pesquisa climática, publicado na revista Environmental Research Letters.

De acordo com a pesquisa, a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), que inclui a famosa Corrente do Golfo, pode sofrer um colapso total após 2100, caso as emissões de gases do efeito estufa continuem elevadas. A AMOC desempenha um papel vital na manutenção do clima mais ameno no noroeste europeu, em comparação com áreas do Canadá que estão na mesma latitude. Um eventual colapso não só resultaria em invernos mais rigorosos na Europa, como também diminuiria a umidade que chega ao continente, levando a secas durante o verão e alterando os padrões de precipitação tropical.

As previsões apontam para desertificação em algumas áreas e temperaturas que podem cair para menos de 30 graus negativos em outras regiões. No último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado há quatro anos, havia uma “moderada confiança” de que o sistema não enfrentaria um esgotamento neste século. Esse mesmo raciocínio foi reforçado por uma análise do serviço nacional de meteorologia do Reino Unido publicada no começo de 2025.

Entretanto, a nova pesquisa, conduzida pelo Serviço Meteorológico Real dos Países Baixos, indica que a circulação do Atlântico Norte, que tem a capacidade de regular o clima global, poderá desacelerar de forma significativa até o fim do século, atingindo um ponto crítico já nas próximas décadas, antecipando os efeitos de seu colapso. “Nas simulações realizadas, o ponto de inflexão nas águas-chave do Atlântico Norte geralmente ocorre nas próximas décadas, o que é bastante alarmante”, afirma Stefan Rahmstorf, chefe do departamento de Análise do Sistema Terrestre do PIK e um dos autores do estudo.

Conforme Sybren Drijfhout, principal autor da pesquisa, em todos os cenários de altas emissões analisados, o colapso total do sistema oceânico após 2100 é inevitável, podendo ocorrer a partir de 50 anos após o ponto de inflexão. “Isso demonstra que o risco de colapso é mais sério do que muitos pensam”, ressalta. A AMOC é um dos sistemas de correntes oceânicas mais cruciais do planeta, transportando calor e regulando o clima. Considerada um motor climático, sua função principal é levar água quente dos trópicos para o Atlântico Norte na superfície, enquanto devolve água fria em profundidades, operando como uma “esteira transportadora” de calor.

Com o aumento das temperaturas globais resultantes das emissões de gases de efeito estufa, o oceano se torna incapaz de dissipar o calor transportado pelas correntes durante o inverno, pois a atmosfera não esfria o suficiente. “Isso começa a prejudicar a mistura das águas oceânicas: a superfície do mar se mantém mais aquecida e leve, tornando-se menos propensa a afundar e se misturar com as águas mais profundas. Isso enfraquece a AMOC, resultando em uma diminuição do fluxo de água quente e salgada para o norte”, explica o estudo.

Sem a troca de calor adequada com a atmosfera, as expectativas são de desertificação na Europa e uma queda nas temperaturas em grande parte do hemisfério norte. O impacto mais significativo ocorre na Corrente do Golfo, reconhecida como o “aquecedor da Europa”. Mesmo antes do colapso da AMOC, uma leve redução nas temperaturas proporcionadas pela corrente já teria consequências drásticas para a região, conforme indicam os pesquisadores, corroborando uma pesquisa publicada na revista Nature em 2023.

Para chegar a essas conclusões, a equipe de pesquisa avaliou simulações utilizando 38 modelos climáticos distintos, incluindo o modelo de referência do IPCC, com projeções que se estendem até 2300 e 2500. De acordo com o Instituto Potsdam, em todas as simulações de altas emissões, os modelos evoluem para uma circulação mais fraca e superficial das correntes, com a mistura mais profunda das águas se desintegrando. “Em todos os casos, essa mudança ocorre após um colapso da convecção profunda nas águas do Atlântico Norte”, afirma o estudo. O mesmo resultado foi encontrado em simulações com base em emissões intermediárias e até baixas de gases, onde o risco de desligamento da bomba de calor do Atlântico se eleva a 25%.

“Um ponto crucial é que a convecção profunda, em muitos modelos, já começa a entrar em colapso na próxima década, constituindo o ponto de inflexão que levará a AMOC setentrional a um declínio terminal, do qual poderá levar séculos para se recuperar, se é que isso ocorrerá”, destaca o texto. Nas simulações, esse ponto de inflexão pode ser alcançado nas águas de Labrador, Irminger e Nórdico, que afetam diretamente países como Canadá, Dinamarca (Groenlândia), Islândia, Noruega e Rússia.

Outro fator que pode agravar o impacto até o final do século é o derretimento do gelo em decorrência do aquecimento atmosférico, que torna as águas do Atlântico Norte menos salgadas e, portanto, menos densas. Isso resulta em um enfraquecimento ainda maior da AMOC. Essa variável não foi considerada em muitos estudos, levando os cientistas a acreditar que o colapso real da corrente seja ainda mais iminente. “Um enfraquecimento drástico e o desligamento desse sistema de correntes oceânicas teriam consequências severas em escala global”, ressalta o pesquisador do PIK, Rahmstorf.

“Nos modelos, as correntes se extinguem completamente entre 50 e 100 anos após o ponto de inflexão ser ultrapassado. No entanto, isso pode subestimar o risco, uma vez que esses modelos não incluem a água doce adicional resultante da perda de gelo na Groenlândia, que provavelmente pressionaria o sistema ainda mais. Por isso, é crucial reduzir rapidamente as emissões, o que diminuiria significativamente o risco de um colapso da AMOC, embora já possa ser tarde demais para evitar completamente esse desfecho.”

Um relatório subsequente divulgado em outubro pela Universidade de Exeter, assinado por mais de 160 cientistas de 23 países, alertou que o colapso da AMOC poderia mergulhar o noroeste da Europa em uma “mini era do gelo”. Os pesquisadores descreveram como o gelo marinho de inverno poderia cobrir o Mar do Norte, com temperaturas caindo até menos 30 graus na Escócia e Londres enfrentando três meses de frio intenso por ano, em contraste com ondas de calor extremas no verão.

A AMOC já havia colapsado no passado, antes da última Era do Gelo, há cerca de 12 mil anos. “É uma ameaça direta à nossa resiliência e segurança nacional”, afirmou o ministro do Clima da Islândia, Johann Pall Johannsson, à agência de notícias Reuters. “Esta é a primeira vez que um fenômeno climático específico foi formalmente apresentado ao Conselho de Segurança Nacional como uma potencial ameaça existencial.” As repercussões também afetariam países da África e da América do Sul, pois a corrente do Atlântico Norte desestabilizaria padrões de chuva ao redor do mundo.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade